Cabo Verde: economia deve crescer 5,1% entre 2021/2023

Para o Banco Mundial, a economia cabo-verdiana deverá “começar a recuperar gradualmente” este ano, face à esperada retoma dos fluxos turísticos no último trimestre do ano, “e atingir uma taxa média de crescimento de 5,1% entre 2021 e 2023”.

Ainda assim, a instituição alerta: “No entanto, as perspetivas são altamente incertas, com riscos negativos substanciais. As incertezas quanto à duração da pandemia – incluindo o aparecimento de novas variantes do vírus – e a velocidade da recuperação global, particularmente na Europa, ensombram as perspetivas a médio prazo”.

Além disso, como “resultado da dramática redução das receitas fiscais devido à crise da covid-19”, o défice fiscal e as necessidades de financiamento do país “aumentaram substancialmente em 2020”, situação agravada pelo desempenho financeiro do Setor Empresarial do Estado, que “já era fraco” e “foi duramente atingido pela crise”. “Exigindo apoio fiscal de emergência e exacerbando os já elevados riscos fiscais. Consequentemente, os recentes ganhos na redução do peso da dívida pública foram revertidos em 2020”, aponta o Banco Mundial, no documento.

A atividade económica em Cabo Verde, segundo o Banco Mundial, contraiu 14,8% em 2020, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e 2019, que foi a maior recessão de sempre do país “e a segunda maior na África Subsaariana”.

O relatório destaca como fatores principais que contribuíram para esta contração económica a paragem do setor do turismo durante nove meses e as repercussões negativas associadas nos setores a montante, bem como a forte contração do consumo privado “em resultado de medidas rigorosas de contenção interna para evitar a propagação” da pandemia no arquipélago.

Acrescenta que o modelo de desenvolvimento de Cabo Verde “é caracterizado por uma dependência excessiva do turismo”, que representava um peso de 25% do PIB, com uma “grande presença do Governo na economia” e “grandes fluxos” de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) “direcionados para hotéis com tudo incluído e pouca ligação a outros setores da economia”.

Para o Banco Mundial, Cabo Verde terá de “promover a sustentabilidade fiscal e da dívida no rescaldo da pandemia” e que “para regressar a uma postura prudente de política fiscal” deverá “impulsionar reformas que aumentem a cobrança de receitas, priorizem a saúde e as despesas de capital e reestruturem a gestão dos riscos fiscais”.

“Para melhorar a gestão da dívida e a transparência é necessário continuar a implementar um limite zero de endividamento não concepcional, publicar e melhorar o conteúdo dos boletins trimestrais do Setor Empresarial do Estado, e alargar a cobertura da dívida pública”, recomenda a instituição. O modelo de desenvolvimento de Cabo Verde “é caracterizado por uma dependência excessiva do turismo”, que representava um peso de 25% do PIB.

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