Cabo Verde: Eliane Mendes, artesã trabalha para renascer arte africana

Eliane Mendes, 28 anos, ainda não se considera uma artesã completa, numa arte que vai aprendendo ao lado do marido, que é carpinteiro e marceneiro, mas as ambições já são enormes e quer trabalhar para o renascimento da arte africana utilizando produtos made in Cabo Verde.

“Inicialmente eu vendia apenas as artes do meu marido”, começou por contar ao Mercados Africanos Eliane Mendes, durante uma feira de micro negócios, organizada pela Câmara Municipal da Praia, no âmbito da Semana da Juventude, que decorreu entre 09 e 14 de agosto.

E com o tempo, recordou que as pessoas foram pedindo outras peças e acessórios, como brincos, colares, pulseiras, e não teve alternativa senão pôr também a mão nessa massa e desde novembro passado que começou a dar os primeiros passos no artesanato, através da curiosidade de ver o que o marido fazia e de pesquisas na internet.

Além disso, restaura peças e acessórios, numa “segunda vida” que dá às bijutarias que também tem feito muito sucesso junto dos clientes. Também trabalha em madeira, gravando a imagem que o cliente quiser.

“Faço estes acessórios com inspiração e criatividade”, enfatizou a jovem artesã, no atelier que tem o nome de “Renascimento de arte Africana”, em que o objetivo mesmo é levantar a arte africana a partir de Cabo Verde, e usando grande parte de produtos do arquipélago, como sementes, búzios, ossos de animais ou folhas de plantas.

Venda de Artesanato "Made In Cabo Verde"
Venda de Artesanato “Made In Cabo Verde”

Até agora, o atelier, situado no Parque 5 de Julho, na Fazenda, envia peças para Estados Unidos, Países Baixos e outros países europeus, principalmente para o mercado da emigração, num trabalho feito juntamente com o marido Sandro Moniz e uma ajudante, mas Eliane Mendes prevê ter mais funcionários para compor as peças.

O atelier faz arte há vários anos, mas nunca tinha participado em qualquer exposição na cidade da Praia, tendo feito logo duas em agosto, a primeira no Palácio da Cultura e a segunda na Rua Pedonal, tudo no Plateau, centro histórico da cidade da Praia.

Para quem cria arte destinada sobretudo ao mercado da emigração e ao turismo, a pandemia da covid-19 veio criar muitas dificuldades, segundo a artesão praiense. “Mas estamos sempre a divulgar”, garantiu, enquanto atende uma cliente que pergunta pelos preços das bijutarias.

“O nosso objetivo é ir sempre em frente, mostrando a arte africana, que é muito forte”, salientou Eliane Mendes, que vive apenas da arte que faz com o marido, que concilia carpintaria e marcenaria com o artesanato.

Além da feira de pequenos negócios, a Semana da Juventude na cidade da Praia teve ainda uma feira de saúde, workshops de voluntariado, oportunidades de emprego, delinquência juvenil, liderança participativa, motivação pessoal e desafios da covid-19.

Sob o lema “Por uma Juventude sem covid-19”, a Semana da Juventude 2021 na capital de Cabo Verde foi dedicada à prevenção de doenças, manutenção da saúde, criação de emprego e oportunidades de negócios, bem como outros temas.

Em Cabo Verde, a juventude é o grupo da população com maior taxa de desemprego 25,7% dos jovens de 15-24 anos e e 11,2% dos jovens com 25-34 anos estão desempregados, segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

Made In Cabo Verde
Made In Cabo Verde

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