Cabo Verde em alerta: Pandemia tirou 600 milhões de euros de receitas (I)

A pandemia de covid-19 deverá tirar à economia de Cabo Verde, em três anos, receitas de 600 milhões de euros. O número, direto e cru, foi avançado pelo ministro das Finanças, Olavo Correia, após ouvir, na Praia, a apresentação das últimas previsões do Banco Mundial para o arquipélago, através do “Cabo Verde Economic Update 2020”.

“Cabo Verde é um dos países mais afetados por esta pandemia. Um exemplo explicito deste impacto é por exemplo o ‘gap’ na receita potencial, 2020, 2021 e 2022, em cerca de 60 milhões de contos (aproximadamente 600 milhões de euros)”, afirmou nesta sexta-feira, 10 de setembro 2021, Olavo Correia, que é também vice-primeiro-ministro.

O cenário, dramático, justifica o aviso: “Daí a importância de um foco estratégico nos novos tempos, em fazer face aos custos da pandemia e na retoma económica e a recuperação fiscal”.

Sem rodeios, afirmou que o impacto da pandemia da covid-19 em Cabo Verde “é efetivamente enorme”, assumindo que uma das consequências foi o endividamento público, para socorrer os gastos com políticas sociais e de apoio às empresas, para mitigar a crise.

“Cabo Verde registou um aumento da dívida pública, só nestes dois anos de pandemia, em mais de 15%. A reestruturação da dívida cabo-verdiana é uma questão crítica. O Governo está a trabalhar com todo o empenho para a construção de soluções estratégicas e sustentáveis”, afirmou.

Para Daniel Reyes, economista sénior do Banco Mundial em Cabo Verde e autor do relatório, o caminho é claro: “Avançar com reformas fiscais que aumentem as receitas, protegendo ao mesmo tempo a despesa social e o investimento público prioritário, poderia apoiar o retorno a uma postura fiscal e de dívida prudente pós crise da covid-19”.

O economista entende que é também prioritário “dar continuidade à gestão cuidadosa da dívida pública é essencial para garantir a estabilidade macroeconómica a médio prazo”. O “Cabo Verde Economic Update 2020” concluiu que a crise económica provocada pela pandemia “reverteu os progressos na redução da pobreza alcançados desde 2015” em Cabo Verde e colocou “cerca de 100.000 pessoas em situação de pobreza temporária”.

(continua)

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