Prestes a completar 10 anos de existência, em julho, a Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde (EHTCV) tornou-se numa referência no país, tendo já colocado cerca de 5.500 formando no mercado, com uma taxa de empregabilidade superior a 75%, a mais elevada do arquipélago em todas as áreas de ensino.

Os dados foram avançados ao Mercados Africanos pelo presidente da instituição de ensino profissional, Sérgio Sequeira.

Afetada também pela pandemia do novo coronavírus, o dirigente disse, nesta primeira parte da entrevista, que a escola está num momento de transição, apostando em formação contínua e reciclagem de classes profissionais, mas a ambição é grande e após a crise vai apostar no ensino à distância e na internacionalização, recrutando alunos da Guiné-Bissau.

Mercados Africanos (MA): A Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde (EHTCV) vai entrar nos seus 10 anos de existência este ano. Como foi o percurso até aqui?

Sérgio Sequeira (SS): É um percurso muito bonito, por uma escola jovem, uma escola que teve a sorte de ser desenvolvida num momento muito importante para a economia de Cabo Verde, em que o turismo começou a se desenvolver e começamos a ter uma grande procura de turistas que vinham para Cabo Verde. Nesse sentido, foi muito importante ter uma escola que pudesse trabalhar as atitudes e os comportamentos, mas também a parte técnica de quem trabalha neste setor, de forma a pudermos levar qualidade e transmitir confiança a quem visita Cabo Verde.

MA: Quantos cursos e alunos a escola tem neste momento?

SS: Estamos num momento de transição, porque estamos num momento covid, em que a situação não é igual à que era antes. No início de 2020 nós tínhamos cerca de 250 a 300 alunos em formação, no início de 2021 temos muito menos. Temos uma formação de taxistas que está a decorrer em Santiago, Sal e brevemente na Boa Vista, e está a envolver cerca de 700 taxistas, mas também duas turmas, uma de gestão e técnica hoteleira e outra de pastelaria. Brevemente vamos abrir novas turmas, mas obviamente que neste momento pós-pandemia nada será como antes.

MA: Estão com menos cursos?

SS: Temos de ser realistas e fazer o que o mercado precisa, e o mercado neste momento está fechado. Temos estado a trabalhar mais com a formação contínua, não com formação inicial, como habitualmente, estamos a trabalhar com quem já está no mercado de trabalho e que neste momento precisa de um seguimento, de uma reciclagem. É neste sentido que durante todo o ano de 2020 trabalhamos com 100 guias de turismo, demos formação de reciclagem. Fizemos isso nas ilhas da Boa Vista, Sal e Santiago, justamente para trabalhar com os ativos, não com novos alunos porque o mercado não precisa, mas trabalhando os ativos.

MA: Quantas pessoas a escola formou nesses quase 10 anos?

SS: Cerca de 5.000 a 5.500 formandos, de várias áreas, com enfoque nas nossas três áreas de core, que é cozinha, pastelaria e restaurante, porque são áreas que têm bastante procura a nível do mercado de trabalho, mas também trabalhamos a questão da receção hoteleira, camareiras, os guias de turismo, além de outras áreas específicas que o mercado nos pede pontualmente.

MA: Qual o nível de empregabilidade?

SS: Até ao momento antes da covid-19 tínhamos uma taxa de empregabilidade superior a 75% e em certos cursos rondava os 85%. É muito satisfatório, é a melhor taxa de empregabilidade de Cabo Verde em todas as áreas de ensino.

MA: O que é que o turismo em Cabo Verde ganhou como a escola?

SS: O turismo sobretudo ganhou profissionais capazes de dar resposta e satisfazer as necessidades do mercado e dos clientes que nos visitam, porque nós temos que ser realistas, Cabo Verde continua a ser um destino caro para quem nos visita e então temos que trabalhar na questão de ter mão de obra qualificada e certificada, para que seja um turismo sustentável e para que possamos ter uma taxa de retorno de turistas que possam ir e voltar, mas também referenciar Cabo Verde como um destino a visitar.

MA: Além dessa readaptação, de que outras formas a covid-19 afetou a escola?

SS: A covid pôs-nos num momento de stand-by, nós não sabemos quando é que o mercado vai retomar e nós estamos sobretudo dependentes do mercado de trabalho no setor do turismo. E então nós vamos trabalhando outras áreas que são transversais ao turismo, dentro da cadeia de valor do turismo, mas obviamente que só a partir do momento que houver a retoma nós aí começaremos a trabalhar dando resposta ao mercado de trabalho.

MA: No pós-covid-19 vai-se notar mais a vossa importância, por causa da questão sanitária e da qualidade que se fala cada vez mais?

SS: Neste momento estamos a implementar todo um leque de formações que estão previstas, mas que serão implementadas só no momento da retoma, que têm um grande enforque na questão sanitária. Todas as formações ligadas à higiene e segurança alimentar, higiene e segurança no trabalho são essenciais ao nível da confiança que possa ser transmitida, não só aos turistas, mas também a quem trabalha. Quem trabalha é muito importante que sinta seguro no seu trabalho, para que possa garantir o seu trabalho e manter sobretudo a sua empregabilidade e não perder o seu rendimento.

Leia a segunda parte desta entrevista.

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