Uma média entre sete a 10 toneladas de peixe são movimentados todos os dias no Cais de Pesca da Praia, em Cabo Verde, e boa parte passa pelas mãos de 27 tratadores, que depois de vários anos a exercer essa atividade com poucas condições de higiene e segurança, foram formados em questões de higiene sanitária, técnicas de evisceração, transformação, acondicionamento e conservação de pescado, para esse produto sair do cais com um toque profissional.

A formação foi ministrada pela Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde (EHTCV), em parceria com o Ministério da Economia Marítima e o Cais de Pesca da Praia, maior complexo do tipo do país, que segundo o seu gestor, Amílcar Silva, movimenta em média sete a 10 toneladas de peixe por dia.

“Às vezes atinge 20 a 25 toneladas por dia, devido à sazonalidade da pesca”, avançou ao Mercados Africanos Amílcar Silva, indicando que boa parte do peixe descarregado no Cais de Pesca da Praia vai para as mãos dos tratadores, que já faziam o seu trabalho “com alguma qualidade”, mas precisavam de algumas competências a nível de cuidados de higiene e segurança sanitária e técnicas de corte.

“E já hoje, nós como entidade gestora, já notamos alguma diferença a nível de qualidade nas suas formas de tratar peixe e também ao nível da satisfação do cliente que procura o peixe no Complexo de Pesca”, salientou o responsável da infraestrutura de pesca da capital do país.

Com 40 anos de idade, Moisés Lopes, mais conhecido por Cego, começou a tratar peixe ainda criança na praia da Gamboa, a poucas centenas de metros, mas mudou-se cedo para o Cais de Pesca da Praia e é tratador mais antigo do complexo.

Morador em Meio de Achada de Santo António, o bairro mais populoso da Praia, Cego não tem dúvidas: antes não havia condições de tratar o peixe, alimento que está sempre à mesa do cabo-verdiano.

Mas depois das duas semanas de formação em finais do ano passado, Cego agora vê o tratamento de peixe com outros olhos e garante ter mais conhecimento para dar um toque mais profissional ao peixe.

E um dos mais novos, com 31 anos de idade, mas já com nove a tratar peixe no cais, é Agostinho Semedo, mais conhecido por Guto, morador em Castelão. Ao Mercados Africanos, o jovem recordou como era tratado o peixe antigamente: no chão, sem as mínimas condições, em sacos, e recebia muitas chamadas de atenção por parte dos clientes.

Mas as coisas parecem estar a mudar e nada melhor do que uma formação. “Agora temos mais condições, mais higiene, porque aprendemos muitas formas de tratar e manipular peixe e outros alimentos”, afirmou, confiante que com o que aprendeu agora poderá trabalhar em outros sítios, como bares ou restaurantes e quem sabem no futuro montar o seu próprio negócio.

A pesca é um dos setores que emprega mais pessoas em Cabo Verde, cerca de 10 mil, mas poucos tem alguma formação. O setor contribuiu apenas com 1% do Produto Interno Bruto (PIB) e representa quase 80% das exportações, essencialmente conservas, que têm como destino principal a Espanha.

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