Em Cabo Verde não haverá festas públicas de passagem de ano e o jantar de Natal terá de ser limitado a 15 pessoas da mesma família, medidas definidas pelo Governo para continuar a conter a covid-19, cuja taxa de incidência já é muito inferior à dos países europeus, que enfrentam uma dura segunda vaga da pandemia. As medidas foram anunciadas esta terça-feira ao país pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que ao mesmo tempo que deu conta de um Natal que não será igual ao habitual, deixou também a garantia de vacinação à covid-19 avançar até março.

“Estamos a envidar todos os esforços para que a vacinação contra a covid-19 inicie durante o primeiro trimestre do próximo ano. O Plano Nacional de Vacinação já foi aprovado pelo Governo e será apresentado publicamente brevemente”, anunciou. Cabo Verde conta atualmente com 211 casos ativos de covid-19, dos quais 29 na Praia, que deixou hoje de estar em estado de calamidade. Nos últimos 14 dias, os laboratórios de virologia do país analisaram 5.056 amostras, que resultaram em 611 casos positivos de covid-19, chegando a uma taxa de incidência acumulada, provisória, de 110 casos por 100.000 habitantes.

Este registo, sublinhou na mensagem dirigida ao país Ulisses Correia e Silva, é inferior a vários países europeus, face à progressiva melhoria, com a descida de novos casos desde outubro. “A vacinação é uma porta de esperança que se abre para a retoma progressiva da vida normal e para o relançamento da economia. E vai acontecer em Cabo Verde”, disse ainda Ulisses Correia e Silva.

O plano de vacinação contra a covid-19 em Cabo Verde, para uma população estimada de 600 mil habitantes, define o tipo de vacinas, a calendarização e cronograma e os grupos prioritários, mas Ulisses Correia e Silva sublinha que continuará a ser necessário respeitar as normas e medidas de proteção. O programa de vacinação vai custar cerca de 20 milhões de dólares. Desse total, cinco milhões de dólares serão garantidos por um financiamento do Banco Mundial e os restantes através de um programa da sub-região da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Restrições no Natal e Ano Novo

Sem vacinas e a tentar manter o bom resultado no combate à pandemia, Cabo Verde vai enfrentar um período de festas com restrições. O primeiro-ministro cabo-verdiano assumiu que as reuniões de Natal serão limitadas a 15 pessoas, apenas da mesma família, e anunciou que as festas públicas de passagem de ano estão proibidas.
Numa mensagem dirigida ao país na terça-feira, Ulisses Correia e Silva destacou que a evolução da pandemia em Cabo Verde “tem sido positiva”, particularmente na cidade da Praia, “que era o principal foco de preocupação”. “As ilhas do Sal e da Boa Vista registam, respetivamente, cinco casos positivos por 100.000 habitantes e 10 casos positivos por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias, o que é um bom indicador para a retoma do turismo”, apontou.

Com o aproximar do Natal e das festas de passagem de ano, o primeiro-ministro avisou que não será uma época de festejos. “Não vai ser com festas, beijos e abraços, porque ainda estamos sob o efeito da pandemia”, alertou.

Para “evitar situações que possam proporcionar e propiciar o aumento de contágios” por covid-19, admitiu que “impõe-se” um conjunto de medidas neste período. “Faremos, sim, as celebrações, mas sem festas públicas ou em espaços públicos que normalmente são destinados às festividades do Natal e da passagem de ano. Normalmente, as festas que são realizadas pelos municípios nas diversas partes do país não serão permitidas”, anunciou, embora sem adiantar o enquadramento legal destas medidas.

Ainda assim, afirmou que os “convívios nas residências particulares devem acontecer num contexto intrafamiliar” neste período festivo, acrescentando: “Quer dizer em família, em casa, preferencialmente entre coabitantes, ou seja, pessoas da mesma família, até um máximo de 15 pessoas, de modo a minimizar os riscos de propagação do contágio”.

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