O primeiro-ministro cabo-verdiano não tem dúvidas: “Devemos mudar a nossa postura em relação à sub-região e tirar o maior proveito” de pertencer à CEDEAO.

No entanto a adesão, a curto prazo, de Cabo Verde à futura moeda única (ECO) na Comunidade Económica dos Estados da África (CEDEAO), é um cenário colocado de parte num estudo encomendado pelo Governo cabo-verdiano, que defende a solução em curso, de paridade fixa do escudo com o euro. Ainda assim,

Em causa estão as conclusões do estudo sobre o atendimento das especificidades de Cabo Verde na CEDEAO, enquanto pequeno Estado insular, encomendado pelo Ministério da Integração Regional e apresentado quarta-feira pelo Governo, na Praia, que entre vários aspetos analisou a possibilidade de adoção da moeda única africana ECO, suportada na transformação do antigo franco CFA.

 “Não faz sentido Cabo Verde abandonar o acordo de paridade fixa com o euro, para um outro (moeda única da CEDEAO), que não se tem a certeza sobre a sua funcionalidade e eficácia”, aponta o documento, que suporta a conclusão também com as análises do Banco Central de Cabo Verde (BCV), que não recomendam a adesão do arquipélago a curto prazo.

Apesar desta posição, o estudo também recomenda ao Governo para participar nas discussões, dando o seu contributo em termos técnicos, mas considerando como prescindível a adesão imediata, tendo em conta que Cabo Verde tem um acordo de paridade cambial fixa com Portugal (antes com o escudo português e depois com o euro), que funciona relativamente bem.

Inclusive, permitiu resolver problemas antigos de Cabo Verde, como os riscos e/ou instabilidade monetária no arquipélago. Daí que, face ao cenário atual, o estudo aponte que “não é muito prática” a adesão de Cabo Verde à moeda única da CEDEAO, porque as trocas comerciais do arquipélago com a sub-região não chegam a 2%. Em contrapartida o turismo, essencialmente vindo da Europa, representa 25% do Produto Interno Bruto do arquipélago.

“O principal mercado de Cabo Verde é a Europa com a qual tem mais trocas comerciais (importação e exportação), de onde vem a  maior quantidade das remessas dos emigrantes, de onde vem o maior número de turistas”, aponta o estudo.

Para que a moeda única funcione, o estudo sublinhou que tem de ter uma elevada mobilidade de capitais, mercadorias, trabalho e outros fatores, mas a integração monetária não é um imperativo de integração regional.

Criada em 1975, a CEDEAO agrupa 15 países da Costa Ocidental de África, incluindo os PALOP Cabo Verde e Guiné-Bissau, e totaliza mais de 300 milhões de habitantes.

Ver Também: Cabo Verde quer tirar o maior proveito da CEDEAO

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