O primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, garantiu ontem (24/02) que o aeroporto internacional da ilha de Santo Antão, o quinto do país, vai mesmo ser uma realidade e que a solução técnica, após cinco anos de estudos, será apresentada no início de março, o que acontecerá no final da legislatura.

“Ainda no princípio do mês de março estarei em Santo Antão a participar na apresentação dos resultados e assim firmarmos de facto o nosso compromisso com um aeroporto de Santo Antão, que faz sentido”, garantiu Ulisses Correia e Silva – que é também presidente do Movimento para a Democracia (MpD) – ao intervir na quarta-feira no parlamento, para logo depois ser acusado pela presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), Janira Hopffer Almada, de “refogar promessas” das eleições de 2016.

O MpD venceu as eleições legislativas em Cabo Verde em 2016, terminando com 15 anos do PAICV no poder, tendo apresentado a construção de um aeroporto na ilha de Santo Antão, a mais agrícola e montanhosa do arquipélago, como uma promessa eleitoral.

“Em que país é que se constrói um aeroporto internacional em cinco anos”, retorquiu Ulisses Correia e Silva, face às críticas de Janira Hopffer Almada, numa altura que é já de pré-campanha para as eleições legislativas de 18 de abril, em que ambos concorrem para primeiro-ministro.

Cabo Verde tem quatro aeroportos internacionais, nas ilhas de Santiago, do Sal, da Boa Vista e de São Vicente, e três aeródromos, nas ilhas de São Nicolau, Maio e Fogo, todos operados pela empresa estatal ASA.

A ilha de Santo Antão conta com cerca de 50.000 habitantes e uma área de 779 quilómetros quadrados e uma altitude máxima de quase 2.000 metros. Além da agricultura, a pesca é outra das atividades principais da ilha, assim como o turismo, que está em crescimento, nomeadamente o relacionado com trilhos de montanha, turismo de aventura e ecoturismo.

Segundo o primeiro-ministro, “os estudos relacionados com o aeroporto, relativamente à recolha de dados para definir em definitivo a localização, que levam cerca de cinco anos, estão em fase de conclusão”, o mesmo acontecendo com o prometido porto marítimo.

“Está no nosso compromisso de governação e devidamente justificado o investimento, a criação de condições para Santo Antão ter um aeroporto e também um projeto de expansão do porto marítimo e do porto de pesca (…) tivéssemos 15 anos [no governo] e o aeroporto já estaria pronto e a funcionar”, afirmou.

Globalmente, os aeroportos cabo-verdianos movimentaram quase 776.000 passageiros em 2020, perdendo praticamente dois milhões de passageiros no espaço de um ano (-72%), devido à pandemia, segundo dados anteriores da ASA.

Já em janeiro deste ano, o movimento não chegou a 40.000 passageiros, uma quebra de 85% face ao mesmo mês de 2020, antes da pandemia de covid-19 afetar o tráfego aéreo.

De acordo com um boletim de tráfego da empresa pública Aeroportos e Segurança Aérea (ASA), os aeroportos de Cabo Verde receberam no primeiro mês de 2021 um total de 831 aeronaves (-75% face a janeiro de 2020) em voos internacionais e domésticos.

Já o número de passageiros em embarques, desembarques e trânsito foi de 18.805 em voos domésticos e 19.546 em voos internacionais, totalizando desta forma 38.351 passageiros, contra os 260 mil em janeiro de 2020 (-85%).

A economia de Cabo Verde depende essencialmente do Turismo, com um peso direto de cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e um recorde de 819 mil turistas em 2019. O mês de janeiro é considerado como de época alta na procura turística por Cabo Verde.

Contudo, desde finais de março que o arquipélago praticamente não tem atividade turística, face aos condicionalismos impostos por vários países, para travar a transmissão da pandemia de covid-19, e com o Governo a estimar a duplicação da taxa de desemprego até dezembro, para quase 20%.

O Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, na ilha do Sal, a mais turística de Cabo Verde e que tem registado um movimento anual acima de um milhão de passageiros, contou em janeiro com apenas 5.548 passageiros em embarques e desembarques, o que representa uma quebra de 95% face ao primeiro mês de 2020.

O aeroporto da capital, na Praia, movimentou em janeiro 2021 um total de 22.463 passageiros, em voos internacionais e domésticos, uma quebra de 58% face ao mesmo mês de 2020.

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