A União Europeia vai dar 17 milhões de euros a Cabo Verde, para financiar infraestruturas portuárias e um modelo de desenvolvimento socioeconómico sustentável na ilha do Maio, num acordo de investimento que será assinado hoje (21/12) segunda-feira, na Praia. Uma verdadeira ‘prenda de Natal’, até porque se tratam de verbas a fundo perdido ou como donativos.

De acordo com informação da União Europeia enviada ao Mercados Africanos, este acordo de investimento visa “a melhoria de infraestruturas portuárias e fomento do desenvolvimento económico nas ilhas do Maio e Sal”. “Com a criação de empregos qualificados adaptados a um modelo de crescimento sustentável, em sintonia com a classificação do Maio como reserva da Biosfera. Com a crise da covid-10, este investimento ganhou ainda mais relevância para a necessária retoma económica de Cabo Verde”, assume a delegação da União Europeia na Praia.

Vai permitir “estimular uma transformação gradual da economia nos próximos anos”, para “um modelo de crescimento verde inclusivo, centrando-se em quatro pilares fundamentais, desde o Turismo sustentável e criação de emprego, às Energias renováveis, ao Acesso generalizado à água e ao saneamento, bem como ao Fomento da economia azul e agricultura.

“Com este investimento, a União Europeia visa a retoma da economia sob a base dum modelo de crescimento ‘verde e inclusivo’ que permita Cabo Verde explorar novos mercados, reduzindo a dependência dum modelo de desenvolvimento”, acrescenta a mesma informação.

Trata-se de um investimento que será concretizado em duas componentes, a primeira das quais estruturante para o crescimento económico com a criação de emprego e do aumento das transações comerciais, através da doação de 11 milhões de euros para complementar um empréstimo do Banco Africano de Desenvolvimento e comparticipação do Governo de Cabo Verde para financiar a extensão e a modernização sustentável dos portos de Porto Inglês e Palmeira, nas Ilhas do Maio e do Sal.

A segunda componente visa o reforço dos serviços sociais e ambientais municipais para viabilizar o desenvolvimento integrado da ilha e promoção da economia circular. Este reforço será feito através do financiamento a fundo perdido de 3 milhões de euros para o programa de desenvolvimento territorial com a Câmara Municipal do Maio e parceiros da sociedade civil.

A União Europeia explica que vários setores económicos e sociais da ilha do Maio serão apoiados, como a saúde, educação, cultura, agricultura, pesca, urbanismo e setor privado.

“Tudo de forma a consolidar o tecido económico e social das comunidades”, acrescenta. Acresce ainda um outro financiamento a fundo perdido de 2.8 Milhões de euros para a construção de um sistema integrado de tratamento de resíduos sólidos na ilha de Maio.

Cabo Verde aposta no Maio como reserva da Biosfera da Unesco

O Governo de Cabo Verde anunciou em outubro que vai elaborar uma “forte agenda” para uma “boa gestão” e “tirar o proveito necessário” das ilhas do Fogo e do Maio, que passaram a integrar a lista da Reserva Mundial da Biosfera da Unesco.

“A classificação pela Unesco das duas ilhas como reservas mundiais da Biosfera foi um grande êxito, mas a partir de agora iniciamos uma nova etapa, com novos desafios em que a nossa responsabilidade aumenta ainda mais”, disse o ministro da Agricultura e Ambiente de Cabo Verde, Gilberto Silva, depois de, também em outubro, ter sido atribuída a classificação das ilhas cabo-verdianas do Fogo e do Maio como Reserva Mundial da Biosfera.

Garantiu que o país vai ter uma “forte agenda de trabalho” para uma boa apropriação deste conceito a nível nacional e, especialmente, a nível da sociedade nas duas ilhas, para garantir a necessária visibilidade e promover esta distinção no país e no mundo inteiro.

“E assegurar uma boa gestão das duas reservas e tirarmos os proveitos necessários para o processo de desenvolvimento sustentável das ilhas”, enfatizou o governante, indicando que a agenda será elaborada até janeiro próximo.

Cabo Verde iniciou a candidatura das ilhas do Fogo e do Maio para as reservas mundiais da Biosfera há cerca de três anos, tendo contado com apoio financeiro de Portugal de cerca de 25% dos 5 milhões de escudos (45 mil euros) que o Executivo investiu no processo, disse o ministro.

A classificação foi aprovada durante a 32.ª sessão do conselho internacional de coordenação do programa científico Homem e Biosfera (MaB — ‘Man and the Biosphere’) da Unesco, em outubro.

Cabo Verde juntou-se assim às 701 reservas mundiais da Biosfera já classificadas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco, na sigla em inglês).

Sobre a “plana” ilha do Maio (cujo ponto mais alto é o cume do monte Penoso com 437 metros), o conselho consultivo do MaB recorda, no documento de classificação, que inclui toda a ilha e a zona marinha circundante, cobrindo uma área total de 73.972,43 hectares, distribuídos pelo Parque Natural da Ilha do Maio, Reserva Natural Lagoa do Cimi-dor, Reserva Natural da Praia do Morro, Reserva Natural das Casas Velhas, Paisagem Protegida do Barreiro e Figueira e Salina do Porto Inglês.

A ilha tem uma população de cerca de 7.000 habitantes, e as principais atividades económicas são o turismo, a agricultura, a produção de sal e o artesanato.

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