No melhor dos cenários, Cabo Verde vai crescer este ano apenas 5,5%, face à recessão histórica que fez o PIB do arquipélago recuar quase 15% em 2020, e já no início de agosto haverá um Orçamento Retificativo.

Enquanto intensifica a vacinação da população contra a covid-19, a falta de turismo ameaça comprometer as contas também de 2021.

“O país está a viver hoje simplesmente a sua maior crise económica, financeira e orçamental da sua história. Desde Cabo Verde independente, nunca o país foi confrontado com uma situação económica, social, financeira, orçamental com a envergadura que estamos a enfrentar hoje”, alertou esta semana Olavo Correia, vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças.

A economia de Cabo Verde assenta no turismo, que garante 25% do Produto Interno Bruto (PIB), mas o setor está parado desde março de 2020, devido à pandemia e às restrições nas viagens.

Por esta altura, o Governo já previa um setor em crescimento, mas as limitações na Europa, praticamente o único mercado emissor de turistas para o arquipélago, comprometem as metas de recuperação económica, levando a uma proposta de Orçamento Retificativo para este ano.

O documento já foi entregue esta semana no parlamento e deverá ser aprovado até final do mês, com o Governo a rever em baixa o crescimento esperado, que não deverá ultrapassar 5,5%, devido às consequências económicas da pandemia.

Está orçado em cerca de 78 mil milhões de escudos (707,4 milhões de euros), entre despesas e receitas, incluindo endividamento, um aumento de 0,1% na dotação inscrita no Orçamento ainda em vigor.

Prevê um endividamento público de 23 mil milhões de escudos (cerca de 208 milhões de euros), estimando um ‘stock’ da dívida pública equivalente a 158,6% do PIB até finais de 2021.

O Orçamento do Estado em vigor previa um crescimento económico de 6,8 a 8,5% do PIB em 2021, uma inflação de 1,2%, um défice orçamental de 9,6% e uma taxa de desemprego de 17,1%, além de um nível de endividamento equivalente a 151,7% do PIB.

Previsões drasticamente afetadas pela crise económica e sanitária, refletidas nesta nova proposta orçamental para 2021, com uma revisão em baixa do crescimento do PIB para o intervalo de 3,0% a 5,5%, uma taxa de desemprego de quase 14,2% até final do ano e um défice orçamental previsto de 13,6% do PIB.

Veja Aqui a Segunda Parte deste Artigo

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