Uma grande oportunidade! É assim que o Governo de Cabo Verde vê a nova Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), que entrou em vigor no início deste ano. Em declarações ao Mercado Africanos, o ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades, Luís Filipe Tavares, que quer defender os interesses dos pequenas Estados insulares.

“Nós entendemos que é uma oportunidade muito importante de desenvolvimento do nosso país”, começou por dizer o ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades. É que para o chefe da diplomacia cabo-verdiana, o país quer ter “equipas fortes”, para uma “integração plena” tanto junto da CEDEAO, como da União Africana.

Prova disso foi o anúncio esta semana da substituição do atual embaixador político na Nigéria, Francisco Tavares, por outro a nomear, mas que será um “diplomata experiente e de carreira”, conforme o ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades.

“Mas não sozinhos, queremos trabalhar com os demais pequenos Estados insulares africanos para defendermos os nossos interesses”, apontou Luís Filipe Tavares, esperando, para isso, que as empresas e os empresários não fiquem prejudicados e para que não haja redução do emprego qualificado em Cabo Verde.

Mas nem tudo vai estar operacional no imediato, lembrando o ministro que ainda há produtos que devem ser renegociados, direitos que devem ser acautelados, pelo que Cabo Verde vai ter uma “missão muito técnica” em Abuja, integrando ainda os representantes dos ministérios da Integração Regional e do Comércio.

Para o ministro, um grande mercado se vai abrir para Cabo Verde, que vai poder exportar bens e serviços e recursos humanos qualificados e uma oportunidade de criar empregos.

“Não diria que tem desvantagens, mas temos que acautelar os nossos interesses tendo em conta a pequenez do nosso mercado e o facto de hoje importarmos praticamente tudo aquilo que consumimos”, mostrou o governante cabo-verdiano, esperando “vontade política” dos grandes países africanos e da União Africana para proteger os interesses e a economia de Cabo Verde.

Como mais de mil milhões de consumidores potenciais, Luís Filipe Tavares reiterou que a zona de comércio livre é uma grande oportunidade para Cabo Verde, mas o país deve “precaver-se” para que os seus interesses sejam salvaguardados. “Não só os nossos, mas dos restantes pequenos Estados insulares, que têm realidades completamente diferentes de um país continental”.

Há muito que Cabo Verde pisco o olho ao mercado africano e o ministro dos Negócios Estrangeiros apontou vários possíveis produtos para exportar, como o café, aguardente ou o atum. O que é preciso é terem qualidade, assumiu. “Temos que qualificar melhor, dar mais consistência aos nossos produtos, na perspetiva da exportação. Os nossos produtos têm que ter qualidade plena e podem penetrar em qualquer mercado”, salientou.

Economia digital, energias renováveis ou recursos humanos são áreas apontadas pelo ministro para uma boa integração de Cabo Verde na África Ocidental e no grande mercado continental.

E o país tem como trunfo a sua localização estratégica e o seu papel na promoção da paz, direitos humanos, comércio internacional e dos valores universais, como democracia, liberdade e proteção do ambiente.

“E nós queremos ter um papel cada vez mais útil no seio da comunidade internacional para podermos defender os nossos interesses e projetarmos o desenvolvimento do nosso país”, terminou o chefe da diplomacia de Cabo Verde, que ratificou em outubro a adesão a Zona  de Livre Comércio Continental Africano (AfCFTA, na sigla em inglês).

Acordada em Kigali a 21 de Março de 2018 pela maioria dos 55 países, a Zona de Comércio Livre Continental Africana cria um mercado único de 1,3 mil milhões de pessoas, com um Produto Interno Bruto (PIB) de 3,4 mil milhões de dólares, o equivalente a cerca de 2,7 mil milhões de euros.

Essa zona comercial vai duplicar o volume de trocas no continente em 20 anos, de 15 para 30%, dos bens transacionados no continente até 2040, estimou o Centro de Política Comercial Africana na Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA).

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