A Voz, assim era chamado por muitos, numa clara referência a Frank Sinatra, o seu grande ídolo de sempre, Carlos do Carmo, faleceu no dia um de janeiro de 2021, e o corpo vai a enterrar hoje na capital portuguesa.

“Morro de pé, mas morro devagar. A vida é afinal o meu lugar e só acaba quando eu quiser”, foi com este excerto da letra do fado Sonata de Outono que a Universal, a editora de Carlos do Carmo, comunicou na manhã de 1 de Janeiro a morte do fadista, aos 81 anos, “vítima de um pós-operatório a um aneurisma da aorta abdominal”.

Carlos do Carmo reinventou o fado e fez a sua promoção, tanto em Portugal como no mundo, em especial aquando da candidatura a Património Imaterial da Humanidade, da qual foi um dos principais impulsionadores e teve o seu maior reconhecimento quando, em 2014, lhe foi atribuído um Grammy Latino de carreira – o primeiro atribuído a um artista português.

Mesmo assim, o Presidente da República de então, Cavaco Silva, não lhe deu os parabéns, talvez devido às sempre assumidas simpatias políticas de Carlos do Carmo pelo Partido Comunista Português. Anos mais tarde, em entrevista à TVI, quando questionado se tinha ficado incomodado com essa falta de reconhecimento, apenas respondeu, com um largo sorriso, que “não”, pelo contrário, “até foi um elogio”.

A justiça seria reposta por Marcelo Rebelo de Sousa, que mal tomou posse como Presidente da República condecorou Carlos do Carmo como Grande-Oficial da Ordem do Mérito – já anteriormente, aliás, outro Presidente, Jorge Sampaio, o havia reconhecido, com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

No último concerto, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, em 2019, recebeu as Chaves de Honra da Cidade de Lisboa, um galardão municipal geralmente apenas atribuído a Chefes e a antigos Chefes de Estado.

“Sempre fui muito bem tratado por todos, sou uma pessoa com muita sorte”, afirmou, comovido, no tal concerto de despedida, mas apenas dos palcos, pois preparava-se para editar um novo disco, chamado E Ainda? Que segundo a Universal, será lançado a título póstumo, ainda em 2021.

Para todos os amantes do fado, sejam de onde sejam, a voz de Carlos do Carmo é imortal.

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