Nada melhor do que começar a nova página de Mercados Africanos intitulada Artes, relembrando neste final da época carnavalesca – tão atípica devido à pandemia – o carnaval de Bissau, ele também cancelado, como quase todos os outros, por esse mundo fora.

O Carnaval costuma ser uma época de comemoração no início do ano, durante a qual cidadãos de todo quase o mundo vestem roupas extravagantes, tocam música alta e dançam nas ruas.

Mas, como com tantos outros eventos populares, o Carnaval de 2021 foi em grande parte cancelado, adaptado ou virtual.

Mesmo assim, as pessoas não deixaram o espírito morrer e nesse sentido, relembramos o Carnaval da Guiné-Bissau, talvez o maior de África.

Todos os anos, o Carnaval na Guiné-Bissau – Nturudu (entrudo) como se diz em crioulo –  combina a alegria com as diversas culturas deste país da África Ocidental.

Nturudu, palavra que designa uma máscara gigante, no sentido de feio ou assustador, uma das grandes atrações das festividades.

Se em geral o Carnaval são três dias, na Guiné-Bissau, sobretudo em Bissau, pode-se prolongar por mais tempo e as ruas da capital são inundadas por milhares de pessoas numa enorme e inebriante manifestação de alegria popular de identidade social e artística.

As máscaras gigantes representam os símbolos e rituais das mais de vinte etnias do país e são consideradas uma das mais originais dos diversos carnavais africanos.

As máscaras ganham vida durante o Nturudu, através de trajes, danças, cancões e coreografias únicas, que fazem do carnaval guineense uma das manifestações populares mais simbólicas de todos os carnavais africanos.

Para alem das máscaras podem-se observar no desfile vários costumes e evocações de rituais ancestrais , que simbolizam , entre outros, adoração aos deuses; aos que partiram, embora sempre presentes, ao iran (espirito supremo), cerimónias de iniciação, de casamento, de funerais (toka tchuru) e da época das colheitas.

Em Bissau há também espaço para o “carnaval infantil”, que é o desfile das crianças de diferentes jardins e escolas infantis do país que apresentam e desfilam com danças tradicionais e recitação de poesias e a invocação do que significa ser criança na Guiné-Bissau.

O carnaval é também uma festa gastronómica com as barracas a venderem comidas típicas do país como: caldo de mancarra, caldo de chabéu, cuscuz de milho, “cafriela”, peixe seco, “sigá”, canja de “caquere” e muita bebida.

Mercados Africanos aí estará para o de 2022

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