Carrinho e BDA promovem a produção interna.

O Grupo Carrinho, uma empresa privada angolana, quer substituir a importação de óleo alimentar, com a produção local de milhares de toneladas de soja e girassol, uma vez que o grupo vai receber uma linha de crédito alemã.

 

O acordo

Para a concretização do projeto, o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) e o grupo Carrinho empreendimentos, SA, selaram, na passada quarta-feira dia 22 de Junho de 2022, um contrato de repasse, no âmbito do financiamento de 56,9 milhões de euros do banco alemão, Deutshe Bank.

A quantia vai ser destinada à compra de equipamentos para apetrechamento do Complexo Industrial Carrinho, localizado no município da Catumbela, na província de Benguela.

À margem da cerimónia, Samuel Candundo, administrador Financeiro da Carrinho, especificou que o acordo, com o BDA, é parte da garantia soberana autorizada pelo Presidente angolano, João Lourenço, daí o otimismo dos responsáveis pela concretização do ato.

Para o responsável, no seguimento do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações, a Carrinho propõe-se produzir milhares de toneladas de cereais, que vai responder, brevemente, às necessidades do mercado.

Na visão do administrador para Área de Finanças da Carrinho, com entrada em pleno o Complexo Industrial Carrinho que contém 17 fábricas, antevê-se algum alívio de bens produzido em Angola.

 

Previsão da produção

Entretanto, Samuel Candundo já “desenha” uma fábrica de extração de quatro mil toneladas de soja e duas mil toneladas de girassol por dia.

A outra produção, segundo o interlocutor, tem a ver com a refinaria de açúcar que terá uma capacidade de três mil toneladas por dia de açúcar ICUMA150 e ICUMA45, assim como a fábrica de glucose com uma capacidade de 500 toneladas dia.

O administrador para a Área de Finanças da Carrinho enfatiza, igualmente, que a Central de Silos vai produzir 300 mil toneladas e ter uma capacidade de distribuição com 50 mil metros quadrados.

Samuel Candundo diz que a crise ucraniana não terá afetado diretamente a cadeia de importação de produtos do grupo, visto que depende, essencialmente, do Brasil e da Argentina, embora Kiev e Moscovo sejam fornecedores de 30% do trigo e do milho no mundo.

A transformação da empresa, segundo apurados, começou em 2014, com a empresa de catering, logística, importação e exportação, mas foi em 2019 que surgiu uma grande viragem, depois da inauguração do Complexo Industrial Carrinho.

 

Os investimentos

O grupo alega que terá investido 600 milhões de dólares, com a construção do Complexo Industrial Carrinho, que possui 17 fábricas viradas para produção de bens alimentares e duas de bens não alimentares.

15 das 17 fábricas estão a funcionar, nomeadamente, as moagens de trigo, da fuba, arroz com descasque, polimento, branqueamento e classificação, embalamento de produtos transformados, fábricas de massas alimentícias, bolachas de vários tipos e cereais.

Atualmente, a empresa, por sua vez, conta com uma das maiores estruturas de armazenamento do país, com uma capacidade de 100 mil toneladas de cereais e 50 mil metros cúbicos de tanques de armazenamento de oleaginosos.

 

O crédito

Em março do ano passado, o Chefe de Estado angolano aprovou uma garantia soberana num valor superior a 57 milhões de euros para cobrir o financiamento de um projeto da indústria, agricultura, agropecuária e pescas, entre os quais a fábrica de produção de açúcar da Sociedade Carrinho Empreendimentos S.A.

O despacho presidencial consultado pela “Mercados Africanos”, afirma que o financiamento será feito ao abrigo de uma linha de crédito de mil milhões de euros, resultado de um acordo entre o Deutsche Bank, Sociedade Anónima Espanhola e o BDA.

O BDA, descreve a nota, deve reportar mensalmente ao Ministério das Finanças o grau de execução do financiamento e implementação do projeto, no caso do Complexo Industrial Carrinho.

Nelson Carrinho, um dos filhos da fundadora Leonor Carrinho, é CEO da Carrinho Empreendimentos SA, cargo que ocupa desde 2004. Para o polo industrial “agrega” mais de 3000 mil trabalhadores espalhados por diversas áreas do grupo que poderá aumentar o numero de trabalhadores graças ao acordo com o BDA.

 

O que achas desta opção da Carrinho? A transformação de produtos alimentares é fundamental para o bom desenvolvimento do país? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

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Imagem: © Carrinho

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Autor

  • licenciando em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Jean Piaget de Angola (UNIPIAGET). Já trabalhou para vários órgãos locais. Atualmente é um dos correspondentes da Rádio France Internacional (RFI), em Angola e agora, também nosso Jornalista correspondente em Angola.

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