Entrevista Exclusiva com Nú Barreto, Artista Plástico Contemporâneo Guineense

– Primeira Parte –

Cheguei onde estou com muito trabalho e empenho

Nascido em 1966 em São Domingos (Guiné-Bissau), Nú Barreto vive e trabalha em Paris desde 1989.

Nesta primeira parte da nossa conversa, Nú Barreto começou por nos dizer que: “o amor pela arte é algo inato em mim” e acrescentou “Começou pelo desenho, a única coisa que me motivava em garoto e que nunca parou”.

Falou-nos de dois familiares já falecidos o irmão mais velho “Tive a sorte de ter ao meu lado o meu irmão com quem aprendi” e “o meu tio que me fez vir para França e a quem dediquei todos os trabalhos deste ano, 2021”.

Ainda ao referir-se à sua aprendizagem do desenho Nú Barreto recordou a sua infância e sublinhou: “Mas o período mais forte de aprendizagem foi na escola primária com os meus amigos com quem trocávamos livros de bandas desenhadas” e sorrindo, confessou “Eu guardava mais tempo os livros para pode desenhar”.

Mais à frente recordou uma celebre frase de Saramago “Sempre chegamos onde somos esperados” e o artista Bissau-guineense disse que “tenho a impressão de que a arte sempre andou comigo”.

Mas para chegar onde chegou, Nú Barreto falou-nos do caminho que percorreu até hoje.

Segundo ele, foi graças ao trabalho, ao empenho com altos e baixos, como o de muitos artistas, que “cheguei onde estou”

No seu trabalho, Nú Barreto forjou uma linguagem própria e desenvolveu uma prática multidisciplinar e política.

O seu trabalho original emergiu rapidamente.

Em 1998 representou a Guiné-Bissau na Feira Mundial de Lisboa (Expo Portugal) e desde então, a sua obra tem tido uma projeção internacional e Nú Barreto consolidou-se como um dos mais destacados artistas da arte contemporânea africana.

Formado pela École Nationale des Métiers de l’Image des Gobelins (Paris, França), obteve o Prémio de Artes Plásticas 2020 da Lusofonia

As obras de Nú Barreto fazem parte de importantes coleções públicas, como o Museu Capixaba do Negro (MUCANE) em Vitória, Brasil; a Fundação Pró-Justitiae, no Porto; a Fundação Arpád Szenes e Viera da Silva (PLMJ), em Lisboa, Portugal; a União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA) em Ouagadougou, no Burquina-Faso; bem como a Taipa House Museum de Macau na China.

Nú Barreto é representado pela Galerie Nathalie Obadia, Paris / Bruxelas, desde 2018.

Leia a Segunda Parte da Entrevista: Na minha Guiné, é lamentável a falta de apoio aos artistas

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