Com a chegada das vacinas e mesmo se África, felizmente, é o continente menos afetado, até agora, do ponto de visto sanitário – não económico – é quase inevitável não se falar saúde. Por falar de saúde em África, quem se lembra da Cimeira da União Africana de Abuja, realizada nos finais de Abril de 2001?

Entre as múltiplas decisões tomadas na Cimeira de Abuja sobre o Paludismo, uma era instituir o 25 de Abril de cada ano como Dia Africano do Paludismo, mas uma outra era crucial: os governos africanos comprometiam-se a dedicar 15% dos seus orçamentos ao sector saúde.

Mas o que o que aconteceu com a Declaração de Abuja?

Quase 20 anos depois a região continua em último lugar em quase todos os indicadores de saúde. A pandemia do novo coronavírus ensina-nos, se necessário fosse, que os governos africanos devem demonstrar maior compromisso e priorizar o setor da saúde. Esta pandemia é um alerta para os líderes de todo o mundo, mas especialmente para os líderes africanos, pois muitos países africanos gastam mais em pagamentos de dívidas do que em cuidados de saúde para seus cidadãos.

A falta de sistemas de saúde funcionais é mais importante do que ter um ou outro hospital de alta tecnologia ou a mesma proporção de médicos por mil habitantes que os países mais desenvolvidos. Muitas famílias são empurradas para a pobreza e estudantes deixam as escolas porque os poucos recursos são usados ​​para financiar cuidados e despesas de saúde.

Mesmo se nos últimos anos foram criadas plataformas de risco partilhadas no sistema de saúde (exemplo: Costa de Marfim, Tanzânia, Gana, Quénia, Nigéria) e outros estão em vias de o fazer, os mesmos só cobrem apenas as necessidades básicas de saúde o que significa que a questão financeira permanece um grande obstáculo no acesso aos serviços de saúde.

Mais do que nunca, o compromisso da alocação anual de 15% do orçamento para o setor da saúde feita na Declaração de Abuja tem que ser cumprido.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite o seu comentário!
Por favor, digite aqui o seu nome


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.