Pouco mais de 10%. É esta a percentagem de africanos que pode sair da situação de pobreza se o acordo de comércio livre em África for bem implementado, de acordo com os números do Banco Mundial apresentados pelo secretário-geral da administração do acordo que cria a Zona de Comércio Livre Continental em África (ZCLCA).

“Há uns meses o Banco Mundial lançou um relatório dizendo que uma aplicação eficaz do acordo da ZCLCA daria oportunidade para melhorar os índices de desenvolvimento e tirar 100 milhões de pessoas da pobreza, das quais 70 milhões sairiam de uma situação de pobreza moderada e 30 milhões sairiam da pobreza extrema”, disse Wamkele Mene durante uma conversa com os jornalistas a partir de Gana, a sede do secretariado do acordo.

Esta, disse o responsável, é a principal vantagem da integração do mercado africano, que deu no dia 1 de janeiro o pontapé de saída, por entre dúvidas e reticências, mas também com empenho e entusiasmo.

“O acordo dá também uma oportunidade para se diminuir a diferença salarial entre os homens e as mulheres, e beneficia os jovens empreendedores”, acrescentou, garantindo que não haverá outra oportunidade.

“Não vai ser fácil, vai ser muito difícil, mas sabemos que noutras partes do mundo também era difícil e resultou; alguns países vão estar legal e politicamente ligados, outros podem precisar de mais tempo para colocar em prática a infraestrutura necessária para avançar com o comércio, mas não teremos uma nova oportunidade para integrar o mercado africano porque todos os governos apoiam a iniciativa, e é um desafio que vamos enfrentar coletivamente enquanto continente”, argumentou Wamkele Mene.

Respondendo a perguntas dos participantes virtuais, Mene disse que o tratado não prevê a livre circulação de pessoas, apenas de empresários, e sugeriu que terão de ser os países a dar esse passo, já que isso não está no mandato do secretariado do acordo.

Para além disso, falou também das regras de origem, que estão “desenhadas para garantir que há criação de emprego e não perda de emprego”, e cujo principal objetivo é fomentar a industrialização do continente africano.

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