Conflito da Etiópia impacta na classificação do crédito do país.

A 2 de novembro 2021, na Etiópia, classificada “Caa2” com perspetiva negativa, pela Ficth Ratings, o Governo central, declarou o estado de emergência em todo o país como resposta ao conflito com os militantes do Tigray, que preparavam um ataque militar à capital, Addis Abeba.

Segundo análise recebida da Fitch Ratings na redação de Mercados Africanos, a declaração de estado de emergência teve um impacto negativo na classificação de crédito do país, porque vai pesar ainda mais nos parâmetros económicos e fiscais da Etiópia e complicar as suas negociações com doadores e credores.

O estado de emergência, de seis meses, inclui disposições para bloqueios de estradas, recolher obrigatório, recrutamento e controle militar em certas áreas do país.

Estas medidas vão pesar no já fraco crescimento do PIB de 2% que projetado pela Fitch Ratings, para este ano (2021) e desestimular o esperado investimento estrangeiro no setor das telecomunicações no próximo ano (2022), para além de desacelerar a recuperação da economia em 2022.

A queda do investimento também corre o risco de privar a Etiópia da tão necessária moeda estrangeira, com as reservas atualmente num nível baixo, somente com cerca de 2,5 semanas de cobertura de importações.

Do lado fiscal, a receita do governo deve cair ainda mais, para cerca de 11% do PIB em 2021, de 13% em 2019.

Além disso, com as necessidades do setor da defesa é provável que os gastos aumentem às custas de outras prioridades-chave de gastos, como proteção social e desenvolvimento de infraestrutura o que vai tornar muito difícil manter o déficit fiscal no nível do ano passado (2020) em linha com as metas do programa do FMI da Etiópia.

O conflito também deverá atrasar a assistência financeira da União Europeia e dos EUA, que já retardaram o financiamento devido a relatos de abusos dos direitos humanos e da crescente crise humanitária do país.

Os EUA também anunciaram que pretendem revogar privilégios comerciais para a Etiópia, incluindo acesso isento de impostos às exportações da Etiópia no âmbito do programa Crescimento e Oportunidades da África.

Uma extensão da guerra civil a Addis Abeba prejudicaria a capacidade do estado de funcionar, desafiando a capacidade das autoridades de se focarem em questões-chave, como a aplicação do Quadro Comum para tratamentos da dívida, para além dos juros da dívida

A Iniciativa de suspensão e negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em relação a uma nova Linha de Crédito Alargada, é um pré-requisito para a determinação do tratamento da dívida.

Como a Etiópia é fortemente dependente de ajuda externa, o atraso com o programa do FMI aumentaria os riscos de liquidez e vulnerabilidade externa.

O estado de emergência surge devido à intensificação do conflito do governo com os rebeldes Tigray e a colaboração entre estes e o Exército de Libertação Oromo, que também está envolvido em conflitos armados nas cidades ao norte de Addis Abeba, como Dessie e Kombolcha, ambas localizadas numa das regiões mais populosas da região Amhara.

O primeiro-ministro Abiy Ahmed pediu aos cidadãos que pegassem em armas e que se defendessem, se os combates chegarem à capital.

Os esforços para resolver o conflito não conseguiram produzir um cessar-fogo e a pressão geopolítica continental e mundial tem vindo a aumentar e refletem-se na classificação “muito elevada” do risco político do país.

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