COP26: Negociador africano levanta a voz, “objetivo dos 100 mil milhões foi um falhanço”

O menor emissor de gases de efeito estufa do mundo, é o continente africano e também o mais vulnerável à mudança climática. África pediu bilhões de dólares na COP26, nesta terça-feira, 2 novembro 2021, para financiar a sua adaptação a este novo cenário climático.

“Para um continente que contribui com cerca de 5% das emissões de gases de efeito estufa, a África não pode enfrentar sozinha os seus efeitos que cada vez mais causam mais danos”, disse o presidente da República Democrática do Congo, Felix Tshisekedi, atual presidente da União Africana (UA) e promotor de uma reunião para “a aceleração da adaptação em África”.

Tshisekedi falava em nome da União Africana para apoiar um programa de 25 mil milhões de dólares do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e do Centro Global para a Adaptação (GCA na sigla em Inglês).

O programa pretende “acelerar” a Iniciativa de Adaptação da África, lançada em 2015 durante a COP21, que levou ao Acordo de Paris sobre o Clima.

Através do BAD o continente mobilizou metade desse valor e pede aos países desenvolvidos que financiem o mesmo montante. “25 mil milhões de dólares em cinco anos não são suficientes para completar a lacuna de financiamento para a adaptação”, frisou o presidente congolês, lembrando que o continente recebe apenas em torno de 6 mil milhões de ajuda climática.

Adesina lembrou os compromissos assumidos pelos países desenvolvidos na cimeira de Paris sobre o clima, citando dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), que estima que os custos da adaptação climática em África atingirão os 50 mil milhões de dólares (42,19 mil milhões de euros) anuais em 2040.

Por outro lado, e para além desta iniciativa o Grupo Africano de Negociadores sobre Alterações Climáticas insistiu sobre a necessidade obrigatória de “se de ter um fluxo financeiro claramente previsível para a adaptação e esta é a única forma de o termos”, disse Gahouma-Bekale, o negociador africano.

“Isto tem de ser obrigatório, e não apenas voluntário”, de acordo com Tanguy Gahouma-Bekale, que apontou que o objetivo de 100 mil milhões de dólares que deveria ter sido alcançado até 2020, foi repetidamente falhado.

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