A União Europeia está em negociações para a entrega de mil milhões de euros, nos próximos seis anos, à Costa do Marfim, consolidando a posição deste país como maior produtor mundial de cacau.

Em contrapartida, o país africano terá de melhorar o registo em termos ambientais e de direitos humanos, comprometendo-se a ter mais cuidado com a desflorestação e a utilização de mão de obra infantil na produção do cacau.

“No contexto da nossa programação sobre o orçamento entre 2021 e 2027, a União Europeia está a preparar uma iniciativa da ‘Team Europe’ que pode mobilizar até mil milhões de euros para acompanhar a Costa do Marfim na transição para uma produção de cacau sustentável”, disse o embaixador europeu no país africano, Jobst Von Kirchmann.

Em linguagem de diplomata, esta “transição sustentável” significa que a União Europeia, o maior cliente da Costa do Marfim, comprando 65% da produção, vai impor que a produção não seja feita recorrendo a mão de obra infantil e que o país tenha também mais cuidado com as florestas, garantindo que do ponto de vista ambiental a produção é inofensiva.

A iniciativa da União Europeia surge depois de um braço de ferro com as grandes empresas Mars e Hershey relativamente ao acordo que mantêm com os produtores, segundo o qual é dado um prémio de 400 dólares por tonelada para garantir o futuro das comunidades.

Os consumidores europeus e norte-americanos estão entre os mais atentos às questões ambientais e de sustentabilidade, portanto qualquer produto que tenha esta chancela pode beneficiar de um impulso no consumo.

O Parlamento Europeu, alias, está a preparar uma lei que obriga as empresas a conhecerem toda a cadeia de valor do seu produto e a garantir que o impacto na desflorestação é neutro, ou perto disso, o que teria um grande impacto nas vendas do cacau marfinense.

Enquanto maior produtor mundial de cacau, os mil milhões de euros que a União Europeia se preparar para reservar será bastante importante para garantir não só o volume de exportações, mas também a receita fiscal e o crescimento da economia marfinense, uma das menos afetadas pela pandemia de covid-19.

Por outro lado, as declarações do embaixador europeu no país mostram também uma confiança da União Europeia numa relação a longo prazo com o país liderado por Alassane Ouattara, que recentemente venceu as eleições presidenciais, garantindo um novo mandato de cinco anos.

A indústria do cacau na Costa do Marfim vale 45% da produção mundial e representa 14% do PIB do País, sendo a principal fonte de receita de um em cada quatro marfinenses.

Ainda assim, os dados do Banco Mundial mostram para que metade dos agricultores deste país vive abaixo do limiar da pobreza, recebendo apenas 6% dos 100 mil milhões de dólares em receitas que este setor gera todos os anos.

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