A segunda vaga da pandemia de covid-19 está a revelar-se mais mortífera em África, onde a taxa de mortalidade excede a média mundial, anunciou na quinta-feira (21/01) o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC).

A taxa de mortalidade do novo coronavírus em África situa-se agora em 2,5% dos casos registados, acima da média mundial de 2,2%, explicou o diretor daquela agência especializada da União Africana (UA), o Dr.John Nkengasong, na conferência de imprensa semanal do Africa CDC, através da internet, a partir de Adis Abeba, capital da Etiópia.

O número de casos no continente aumentou 14% por semana ao longo do último mês.

Desde o início da pandemia, África permanece oficialmente um dos continentes menos afetados pela contaminação com o vírus SARS-CoV-2, com 3,3 milhões de casos de Covid-19 e quase 82.000 mortes, de acordo com a agência.

Mas o aumento da taxa de mortalidade marca uma rutura em relação à primeira vaga, em que se encontrava abaixo da média global, indicou Nkengasong.

“Estamos a assistir a uma inversão”, acrescentou o diretor do CDC.

“Esta é uma das características notáveis da segunda vaga, que temos de combater duramente”, sublinhou.

Atualmente, 21 países africanos registam taxas de mortalidade superiores aos 2,2% que são a média mundial.

Entre os exemplos dados pelo CDC estão o Sudão, com uma taxa de mortalidade de 6,2%, o Egipto com 5,5% e a Libéria com 4,4%.

Este aumento da mortalidade é causado pelo número acelerado de casos de acordo com o Dr. Nkengasong.

A dinâmica da epidemia “excede a capacidade dos enfermeiros e médicos para gerir os doentes”, explicou. “Os pacientes não estão a receber a atenção e os cuidados de que necessitam porque temos um número limitado de camas e de mantimentos” e referiu-se particularmente a necessidade de oxigénio.

Na Nigéria, o país mais populoso de África, as autoridades de saúde relatam ter de “escolher quais os pacientes a tratar e a quem recusar cuidados”, disse ele.

Tal como tinha noticiado Mercados Africanos, a União Africana anunciou na semana passada que encomendou 270 milhões de vacinas para distribuir por todo o continente, para além das vacinas planeadas através do esquema Covax, uma iniciativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) e de parceiros privados destinada a proporcionar um acesso equitativo às vacinas.

E está também em negociações com a Rússia e a China para encomendar doses adicionais , mas “ainda não há um acordo”, informou Nkengasong.

Em relação aos PALOP, à data de 21 de janeiro 2021,  Angola registava 442 óbitos e 19.011 casos de infeção, seguindo-se Moçambique (253 mortos e 28.270 casos), Cabo Verde (120 mortos e 13.139 casos), Guiné Equatorial (86 óbitos e 5.365 casos), Guiné-Bissau (45 mortos e 2.478 casos) e São Tomé e Príncipe (17 mortos e 1.142 casos de infeção).

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