CPLP vai ter uma componente económica forte

O secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Português, Francisco Ribeiro Telles, espera que a partir da Cimeira de Luanda, em julho, esta organização lusófona passe a institucionalizar a componente económica, que será o quarto pilar da comunidade.

Em entrevista ao Mercados Africanos, na sede da CPLPL, em Lisboa, Ribeiro Telles revelou que será feito um encontro entre os responsáveis das agências de promoção do investimento, e depois uma reunião entre os ministros da Economia, Finanças e Comércio e, por último, um Fórum Económico e Empresarial que decorrerá em Luanda em julho, quando a Cimeira dos chefes de Estado vai assinalar a transição da presidência cabo-verdiana para Angola.

“A matriz identitária é a promoção e divulgação da língua portuguesa, é isso que une os nove Estados membros da CPLP, e quando foi constituída, há quase 25, a CPLP assentava na promoção e difusão da língua, na concertação político diplomática e no terceiro pilar, que é a cooperação nos mais diversos domínios”, recorda o embaixador.

“Ao longo destes 25 anos constatou-se que era importante a CPLP procurar caminhar e responder a outros desafios, e aí nasceu a ideia de que a parte económica iria ser bastante importante dentro da própria CPLP, e temos vindo cada vez mais a sensibilizar os Estados membros e a comunidade internacional para constituir um quarto pilar, que não estando previsto nos estatutos, seria informal, que é a cooperação económica e empresarial”, diz o secretário executivo da CPLPL.

A economia, assumiu, “é cada vez mais um elemento determinante na ligação entre os Estados membros e já demos passos substantivos nessa matéria, estamos a preparar um calendário que para em julho, na cimeira de Luanda, Angola venha a assumir a componente económica da CPLP como uma das prioridades da sua presidência”.

O que a CPLP pretende, continuou, “é que no futuro possa vir a ser constituído um fórum económico da CPLP, que se reuniria regularmente enquanto decorressem as cimeiras, a cada dois anos, e existiria o fórum que aglutinaria as empresas no espaço da CPLP”.

Qual é então o calendário até julho? O pontapé de saída será “uma reunião tripartida entre os ministros das Finanças, Economia e Comércio, precedido de uma reunião das agências captadoras de comércio dos países da CPLP”, diz Ribeiro Telles.

“É tudo novo, a CPLP está a ir para uma área que não estava no seu ADN constitutivo, mas que tem vindo a fazer o seu caminho e é importante que abrace esse desígnio; desde 2004 que existe a Confederação Empresarial da CPLP, mas agora a ideia é institucionalizar uma componente de economia forte no seio da Comunidade”, afirma o embaixador.

Questionado sobre a vontade e disponibilidade dos Estados para contribuírem para esse caminho, Ribeiro Telles responde que sim, há vontade política, mas admite que há também dificuldades estruturais.

“Existe vontade política dos Estados para prosseguir esse caminho, mas não é fácil porque a CPLP é uma organização intergovernamental, pluricontinental e tem níveis de desenvolvimento muito desiguais, há que ajustar esses processos para que as relações económicas no espaço da CPLP se desenvolvam de forma como não tem acontecido até agora, em que os volumes de comércio e investimento são muito reduzidos, e temos a sensação de que temos de enveredar por esse caminho”, concluiu Ribeiro Telles.

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