Descobertos depósitos de petróleo na Namíbia.

As recentes descobertas de petróleo na Namíbia podem garantir ao país um forte crescimento económico. As descobertas das plataformas Graff-1 e Vénus têm o potencial de mudar a economia da Namíbia, no entanto, o governo precisa apoiar uma implementação acelerada dos projetos, reformando ainda mais as suas estruturas fiscais, tributárias e regulatórias

As consideráveis ​​descobertas na Namíbia em 2022 – a descoberta do Graff-1 feita pela Shell e a descoberta da Vénus pela TotalEnergies – devem impulsionar o boom do petróleo e do gás no país, bem como uma nova era de maior exploração, produção e rentabilização dos hidrocarbonetos neste país da África Austral.

 

A importância do Graff-1 e da Vénus

A descoberta do Graff-1, com uns estimados 2 bilhões de barris de petróleo, e a descoberta da Vénus, não apenas transformarão a Namíbia em um centro regional de energia, desbloqueando a exploração dos 11 bilhões de barris de petróleo do país e 2,2 triliões de pés cúbicos de reservas de gás natural, mas terão um profundo impacto no desenvolvimento socioeconómico do país.

Em primeiro lugar, os projetos provavelmente dobrarão o crescimento projetado do produto interno bruto (PIB) de 3,5% para os anos de 2022 a 2050, resultando em um aumento nas receitas e gastos do governo, criação de empregos e desenvolvimento de infraestrutura, bem como investimentos em outros setores da economia local.

As estimativas iniciais mostram uma participação combinada de mais de 40 bilhões de dólares para o governo da Namíbia com essas descobertas, um divisor de águas para a economia do país.

Em segundo lugar, com a Namíbia a lutar com questões de segurança energética, as descobertas do Graff-1 e da Vénus têm o potencial de ajudar o país a garantir independência energética, acessibilidade, confiabilidade e melhor acesso, ao mesmo tempo em que permitem a diversificação económica.

No entanto, um planeamento sério e reformas do ponto de vista regulatório, fiscal e económico precisarão de ser implementados para garantir que as descobertas aceleram os objetivos económicos da Namíbia.

A este respeito, a Namíbia precisa desenvolver um mapa detalhado de como acelerar a implantação dos projetos, ao mesmo tempo em que deve criar um ambiente regulatório, fiscal e de negócios favorável aos investidores.

A Corporação Nacional de Petróleo da Namíbia (Namcor) precisará de ser modernizada para que as suas operações e estruturas atendam aos padrões internacionais, enquanto a evolução da cadeia de fornecimento de energia do país é acelerada e o desenvolvimento de conteúdo local priorizado.

A Namíbia deve aprender com outros projetos de energia africanos, incluindo os campos Jubilee do Gana, os projetos de gás Rovuma Deepwater da Eni e ExxonMobil em Moçambique, os projetos onshore e offshore do Quénia e os projetos de gás da Tanzânia, que foram descobertos ou desenvolvidos em África nos últimos 20 anos.

As lições podem ser tiradas desses projetos, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento de regimes fiscais favoráveis ​​aos investidores, possibilitando dessa forma, o desenvolvimento de novas descobertas de gás e petróleo.

A Câmara Africana de Energia (AEC), como a voz do setor energético africano, está a defender fortemente que o governo da Namíbia, através do Ministério de Minas e Hidrocarbonetos e empresas paraestatais do setor privado e público, como a Namcor, deve introduzir reformas e incentivos fiscais, bem como outras reformas regulatórias para fortalecer ainda mais o regime e atrair investimentos.

A AEC está empenhada em ajudar a Namíbia a criar um intercambio com os principais países produtores de hidrocarbonetos, como a Guiné Equatorial, a Nigéria, o Níger e Angola, ou outros centros de energia emergentes, como a Mauritânia, o Gabão e a República do Congo, para aprender as melhores práticas e como esses líderes se desenvolveram ou estão a evoluir nos seus mercados de hidrocarbonetos.

O principal evento da AEC para o setor do petróleo e do gás, a African Energy Week (AEW), que acontecerá de 18 a 21 de Outubro de 2022 na Cidade do Cabo, oferece uma plataforma perfeita para a Namíbia se ligar com outros países produtores africanos, investidores internacionais e empresas de gás, para discutir oportunidades no mercado de energia.

Sob o tema, “Explorando e Investindo no Futuro Energético de África ao Conduzir um Ambiente Facilitador”, a AEW 2022 fornece uma plataforma para empresas líderes do mercado, como as IHS Markit, Rystad Energy e a Frost & Sullivan, para se reunirem com a Namíbia e outros produtores africanos para apresentarem projectos para a plena exploração dos recursos de hidrocarbonetos em África.

 

Conclusão

A grande pergunta, no entanto, é esta. Num momento em que a maioria dos países africanos está a apostar na transição energética optando pela energia verde, tem lógica fazer-se esta aposta no gás e no petróleo?

A resposta é simples. Sim. O gás, apesar de ser um hidrocarboneto, é uma das energias mais limpas que existem e o petróleo, que todos pensam estar com os dias contados, vai continuar a ser uma fonte de energia vital para o planeta, não na forma como é utilizado nos dias de hoje, mas em formas energéticas alternativas, algumas delas que, provavelmente, ainda nem sabemos quais são.

Apesar de se estar a apostar fortemente na energia solar e na eólica e haver estudos para o aproveitamento da energia das marés, a necessidade de consumo energético sob a olhos vistos pelo que, no futuro, nenhuma forma de obtenção de energia poderá ser ignorada.

 

O que achas desta descoberta? A entrada da Namíbia para o leque dos países produtores de petróleo irá beneficiar a população ou apenas alguns? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

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Imagem: © 2022 Francisco Lopes-Santos 

  • Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos. neste momento exerce as funções de Chefe de Redação da Mercados Africanos.

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