A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e a União Africana (UA) não têm dúvidas: a recuperação em África tem de ser feita recorrendo à criação e aprofundamento das infraestruturas digitais que permitam ao continente competir na economia do futuro e recuperar a economia do presente.

De acordo com um relatório sobre as Dinâmicas do Desenvolvimento em África, os governos do continente devem potenciar a criatividade típica da juventude e fomentar o lançamento de pequenos negócios empreendedores de cariz digital, conhecidos como start-ups.

“O explosivo setor digital oferece uma oportunidade para os governos ajudarem a iniciar um novo ciclo de crescimento no rescaldo da crise da pandemia de covid-19, já que ao encorajarem a disseminação das tecnologias digitais, dados e interconectividade a todos os setores, a começar pela saúde, os países africanos podem acelerar a transformação económica e a criação de empregos produtivos, em linha com as aspirações da Agenda 2063 da União Africana”, lê-se no relatório divulgado esta semana.

O documento passa em revista os números impressionantes do crescimento do setor digital em África, onde 480 milhões de pessoas têm uma conta bancária no seu telemóvel, e a cobertura por banda larga aumentou mais de 50 vezes em apenas 10 anos.

Na última década, a rede de fibra ótica multiplicou-se quase quatro vezes, as subscrições de telemóveis mais do que duplicaram e a rede 4G está disponível para 58% da população, o que é um mercado fértil para as mais de 500 empresas africanas que oferecem serviços financeiros nos mais de 640 centros de distribuição tecnológica (tech hubs) onde estão presentes várias companhias valorizadas em mais de mil milhões de dólares.

Tudo isto, alertam os autores, é real embora nem sempre esteja nas primeiras páginas dos jornais, mas a pandemia de covid-19 pode arrastar os governos para a gestão do curto prazo sem olhar para as necessidades a médio e longo prazo.

Com uma dívida pública a crescer para 70% do PIB este ano, e com 41 dos 54 países africanos a registarem uma recessão em 2020, o que compara com os 11 que em 2009 sucumbiram à crise financeira internacional, a OCDE e a UA alertam que “os governos agora têm menos recursos financeiros que tinham nessa altura” e acrescentam que “entre 2010 e 2018, a receita fiscal face ao número de habitantes caiu 18%”, a que se juntam as quedas, no ano passado, de 18% na poupança, de 25% nas remessas e de 40% no investimento direto estrangeiro.

Os números dão razões de sobra para estas duas organizações defenderem que os governos têm de promover a inovação digital para além das grandes cidades, espalhando as redes de fibra ótica pelo território.

Por outro lado, sugerem mais proteção social para os jovens empreendedores, a que chamam de iWorkers, já que serão os promotores do desenvolvimento económico a médio prazo.

Remover as barreiras que impedem as pequenas empresas de aceder ao financiamento e de crescer no mundo digital, para além da harmonização da legislação sobre o mundo digital, em particular a proteção de dados, são outras das recomendações apresentadas no relatório.

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite o seu comentário!
Por favor, digite o seu nome aqui


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.