Dívidas ocultas: Filho do ex-presidente disse que “já não se lembrava”

O nosso correspondente em Maputo, Alcides Tamele, que segue, em direto, as peripécias do julgamento para Mercados Africanos, descreve as sessões a decorrerem na penitenciária de máxima segurança da capital moçambicana, Maputo.

ARMANDO Ndambi Guebuza, filho do ex-Presidente da República de Moçambique, Armando Guebuza, negou qualquer envolvimento no esquema que culminou com a contração das “dívidas não declaradas”, entre os anos 2013 e 2014, no valor de mais de 2.2 mil milhões de dólares americanos do Creditsuisse e VTB.

O terceiro arguido a ser ouvido pelo Tribunal que julga, no chamado caso “Dívidas não declaradas”, na Penitenciária de Máxima Segurança, vulgo BO, Ndambi Guebuza é acusado de crimes relacionados com a associação para delinquir, falsificação de documento, uso de documento falso, tráfico de influência, peculato e branqueamento de capitais.

Dos factos sobre os quais o réu foi confrontado pelo juiz Efigénio Baptista, destaca-se a acusação de ser apontado como tendo recebido 33 milhões de dólares americanos, com os quais adquiriu 15 viaturas de luxo, algumas oferecidas a amigos, residências em zonas nobres da África do Sul, bem como ter gastado em viagens.

O arguido negou ter mantido qualquer conversa com o amigo Bruno Langa e Teófilo Nhangumele, outros coarguidos no processo, sobre a divisão dos 50 milhões de dólares de subornos pagos pela Privinvest.

Disse não ter feito parte do projeto da criação da Zona Económica Exclusiva, que culminou com a criação da empresa ProÍndicus.

“O dinheiro que recebi através de uma conta domiciliada em Abu Dhabi e de empresas sul-africanas era para investimentos, em parceria com a Privinvest. Os pagamentos foram do meu interesse, mas dizem respeito à parceria com a Privinvest, de Jean Boustani”, respondeu a uma pergunta do magistrado.

Na maioria das questões que lhe foram feitas, Armando Ndambi Guebuza respondeu que não se lembrava de factos que constam da acusação do Ministério Público porque já passava muito tempo, desde que o documento foi produzido.

Disse também que não queria falar sobre a aplicação do dinheiro recebido supostamente por estar a responder sobre as mesmas questões desde a instrução do processo na Procuradoria-Geral da República, desde que foi detido com outros 18 réus em 2019.

Por exemplo, disse que já viajou com o seu amigo Bruno Langa, mas não se lembra de o ter feito com Teófilo Nhangumele nem com António Carlos do Rosário, outros três co-réus neste caso.

(continua)

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