Dívidas Ocultas: Multa do Credit Suisse é uma “ninharia”.

Numa nota a que teve acesso Mercados Africanos nesta quarta-feira, 20 outubro 2021, Tim Jones diretor do departamento de políticas públicas da ONG Britânica, Comité para o Jubileu da Dívida diz que “são urgentemente necessárias novas regras nos Estados Unidos e no Reino Unido para tornar públicos todos os detalhes dos empréstimos aos governos”.

A nota refere-se à multa global de 475 milhões de dólares imposta pelas autoridades judiciais dos Estados Unidos, Reino Unido e Suíça ao banco Credit Suisse cujo anúncio foi feito na terça-feira, 19 outubro 2021 e noticiado por Mercados Africanos.

Uma multa de 475 milhões de dólares é uma “ninharia” para um banco, enorme, como o Credit Suisse, e é desconcertante não se ter tomado praticamente qualquer iniciativa contra o banco VTB”, acrescentou o diretor de políticas públicas desta ONG dedicada à questão da dívida pública sustentável.

O banco russo VTB foi multado em 6 milhões de dólares.

“A multa da Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido [FCA, na sigla em inglês] reflete o impacto destas transações irregulares, incluindo uma crise da dívida e prejuízos económicos para o povo de Moçambique, e seria mais alta se o Credit Suisse não tivesse concordado em perdoar 200 milhões de dólares de dívida”, disse o diretor executivo do departamento de Aplicação e Supervisão do Mercado na FCA, Mark Steward, numa nota consultada por Mercados africanos.

O comunicado do regulador financeiro britânico critica a falta de zelo dos controladores do Credit Suisse: “Mesmo admitindo que os três banqueiros envolvidos tenham dado passos para esconder deliberadamente os subornos, os sinais de aviso sobre a potencial corrupção deviam ter sido claros para os controladores do Credit Suisse e para os comités séniores do banco, que face aos importantes fatores de risco e aos avisos, não foram suficientemente rápidos em investigarem, escrutinarem ou indagarem “.

Mark Steward, o director executivo do regulador financeiro britânico acrescentou ainda que “levou em consideração a iniciativa do Credit Suisse de perdoar 200 milhões de dólares de dívida à República de Moçambique quando determinou a multa financeira” e alerta que “sem o desconto de 30% por ter concordado resolver o caso com a FCA e sem o alívio da dívida, a FCA teria imposto uma multa financeira significativamente maior”.

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