Economia “ignora” golpe de Estado na Guiné-Conacri

A primeira preocupação dos mercados internacionais com o golpe de Estado na Guiné-Conacri não foi a condição do antigo Presidente Alfa Condé nem o respeito pelas regras democráticas.

A primeira preocupação dos mercados foi com as exportações de bauxite, fundamentais para a produção de alumínio, e o possível impacto na produção deste importante material a nível mundial.

Nos dias seguintes ao golpe de Estado de domingo, a exploração de bauxite seguia normal, no seguimento de um pedido expresso do líder do golpe, o coronel Mamady Doumbouya, para que as mineiras continuassem a trabalhar.

Os militares, aliás, mostraram algum bom senso porque apesar de terem declarado fechadas as ligações terrestres com os países vizinhos durante uma semana, optaram por manter os portos abertos, permitindo o escoamento da produção de bauxite para exportação, e não impuseram o recolher obrigatório nas minas, o que permite que os trabalhos continuem.

As informações que chegam confirmam uma manutenção fluida da exploração de bauxite deste país africano, o segundo maior produtor mundial e responsável por 20% da produção mundial de alumínio.

Ainda assim, os preços do alumínio subiram para o máximo da última década, impulsionados pelos receios sobre a evolução da situação política neste país da África Ocidental, apesar de mesmo antes do golpe já terem ganho quase 40% só este ano.

Num comentário à Bloomberg, o diretor do departamento de pesquisa na área dos metais do Bank of América Merrill Lynch pôs o dedo na ferida e disse: “Se há um problema num país que fornece 20% de bauxite ao mercado global, então isso claramente é um problema global”.

No domingo, as forças especiais antiterrorismo prenderam o Presidente, Alfa conde, que estava no poder há mais de dez anos, e que assim se iria manter por mais quatro, depois de ter alterado a Constituição para permitir um terceiro mandato.

A gota de água que terá levado Mamady Doumbouya a agir, no domingo de manhã, não foi tanto o descontentamento generalizado da população (ainda assim muito visível), mas sim a notícia da detenção de um alto militar alegadamente crítico do poder.

Os relatos que chegam da capital apontam para saudações aos militares e população nas ruas a celebrar a deposição do Presidente, não havendo registo de violência nem de confrontos na capital.

Num comentário ao golpe, o analista da NKC African Economics escreveu: “O apoio público existe, e os protestos da ECOWAS e da União Africana farão pouca diferença; não há grandes efeitos regionais, a não ser talvez para o Presidente Macky Sall, do Senegal, que pode pensar duas vezes antes de tentar ele próprio concorrer a um terceiro mandato, como muitos acham que ele quer”.

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