Encerrou no último domingo (06/12) a quinta edição do Fórum Anual (FAOFEM), organizado pelo Ondjango Feminista de Angola, subordinado ao tema “Mulheres em Resistência por Economias Justas”

O evento realizou-se online e contou com a participação de oradoras convidadas do Senegal, Madagáscar, Moçambique, Uganda, Angola e Quénia.

Marilú Mapengo Námoda, artista moçambicana e ativista feminista, e Margareth Nangacovie, membro fundador do Observatório de Género Assoge, debateram as “Ameaças Contemporâneas aos Direitos Económicos das Mulheres”, ambas a partir de realidades diferentes, proporcionando aos presentes uma análise profunda sobre a conjuntura sociopolítica atual quer a nível regional como a nível global, com destaque para as principais ameaças económicas que as mulheres enfrentam.

O segundo dia contou com a presença de Crystal Simeoni, Diretora do Coletivo Feminista Africano para Macroeconomia do Quénia, e a moderação de Áurea Mouzinho. Crystal Simeoni falou sobre a importância das mulheres abordarem questões ligadas a macroeconomia e também participarem ativamente nos processos de privatizações, por considerar que as mudanças económicas, por menores que sejam, têm impacto a nível macro e consequentemente a nível da implementação das políticas públicas de cada país.

No terceiro e último dia, a pan-africanista ligada aos direitos das mulheres Zo Randriamaro falou sobre o extrativismo. Natural do Madagáscar, muito conhecida por ter dirigido vários programas e projetos internacionais de pesquisa e advocacia sobre género e políticas macroeconómicas, comerciais e ambientais, atualmente coordenadora e fundadora do Centro de Pesquisa e Apoio para as Alternativas de Desenvolvimento – Oceano Índico.

Zo Randriamaro considerou o extrativismo como sendo um modelo de desenvolvimento de dominação altamente desigualitário, em que o sul global é explorado pelo norte global, criando relações de dependência e dominação entre os provedores e os usuários dos recursos naturais, incluído o poder corporativo. Para a pan-africanista essa cratera social beneficia principalmente as corporações transnacionais por um lado, desfavorecendo as mulheres, por serem o grupo mais fragilizado.

O Fórum realizou-se pela primeira vez online, e registou uma adesão diária de mais de cem participantes inscritas a partir de Angola, Moçambique, Brasil, Portugal, Reino Unido, França, Estados Unidos, África do Sul, Angola, Uruguai e Rússia.

O Ondjango Feminista é um coletivo feminista autónomo de ativismo e educação, que trabalha desde 2016 em prol da realização dos direitos humanos de todas as mulheres e meninas em Angola, advogando por uma agenda feminista transformadora a partir de uma perspetiva de justiça social, solidariedade e liberdade.

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite o seu comentário!
Por favor, digite aqui o seu nome


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.