O continente africano vai voltar a crescer já este ano, mas abaixo do previsto e com o impacto da pandemia de covid-19 a fazer-se sentir na economia durante um “período prolongado”.

O relatório sobre as Previsões Económicas Mundiais, divulgado terça-feira pelo Banco Mundial, reduz a previsão de crescimento económico para a África subsaariana, que desce de 3,1% para 2,7%, e avisa que o risco de a previsão não se concretizar é substancial devido às incertezas não só em África, mas nos principais parceiros comerciais do continente.

“A produção da África subsaariana contraiu-se uns estimados 3,7%, com um declínio per capita (por pessoa) de 6,1%, a maior descida de que há registo, devido à pandemia de covid-19 e às medidas de confinamento associadas, que prejudicaram a atividade através de múltiplos canais”, dizem os peritos do Banco Mundial.

A nível global, o banco prevê que as economias cresçam 4,3% este ano, o que significa que o continente se afasta da convergência.

Os países mais afetados foram os produtores de matérias-primas como os lusófonos Angola ou Guiné Equatorial, mas a maior queda foi mesmo nas Seicheles, o famoso destino de praia, que deverá ter registado uma recessão de 16% devido à falta de turistas, um problema que afetou também Cabo Verde, cuja economia caiu 11% no ano passado, mas deverá crescer 5,5% este ano.

A África subsaariana, diz o Banco Mundial, ainda tem bolsas de infeção pandémica que prejudicam o desempenho geral da região, a começar pela África do Sul, o país da região mais afetado, diz o Banco Mundial, apontando que “a tímida recuperação reflete os surtos persistentes em várias economias, o que inibiu a retoma da atividade económica, particularmente nos setores dos serviços, como o turismo”.

No geral, a perspetiva é positiva, ainda que dependente do desempenho de outros países: “Apesar de a retoma no consumo privado e no investimento dever ser mais lenta do que o previsto anteriormente, o crescimento das exportações deve acelerar em linha com a retoma da atividade económica nos principais parceiros comerciais”, como a China.

No entanto, e talvez mais problemático, é o efeito a longo prazo que os analistas dizem que a pandemia vai ter na região.

“Os efeitos de longo prazo piores do que o esperado podem surgir dos efeitos do maior fardo da dívida no investimento, o impacto do confinamento na educação e no desenvolvimento de capital humano, e resultados mais fracos na saúde”, lê-se no relatório.

Em conclusão, o Banco Mundial diz que “sem apoio externo financeiro para ajudar a superar estas dificuldades, vários países estão em risco de sofrer uma prolongada queda da produtividade laboral, abrandamento do rendimento e mais pobreza”.

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