Nem a pandemia da covid-19 esmoreceu o interesse dos investidores estrangeiros em Cabo Verde.

Prova disso é que 2020 bateu todos os recordes, com um volume que vai chegar aos mil milhões de euros em investimentos estrangeiros.

Terminamos de apresentar hoje (28/01), com esta ultima parte, a entrevista exclusiva ao Mercados Africanos (MA) de José Almada Dias (JAD), presidente da Cabo Verde TradeIvest (CVTI), agência responsável pela atração de investimentos e promoção de exportações.

MA: Que mercados Cabo Verde tem procurado?

JAD: Continuamos a ter alguma predominância ao nível de Portugal, Espanha, mas agora já temos investidores dos Estados Unidos. De relembrar o hotel Sheraton, no Mindelo, cuja primeira pedra será lançada em breve e começará a construção, é de investidores americanos.

 O projeto de aquacultura, que é uma grande diversificação em termos de áreas de negócio, estamos a falar de indústria e de exportação, é da Noruega.

Já temos também investidores suecos interessados no setor das pescas.

Já há investidores vindos do continente africano, designadamente o Mindel Floating Music, do investidor maliano Samba Bathily, que também adquiriu o Ponte d’Água, no Mindelo. Temos uma diversificação maior da origem do investimento, o que é muito importante.

MA: Relativamente aos investimentos africanos, ainda não há muito. Está a começar?

JAD: Está a começar, mas devo dizer que há mais interesse, inclusive na área financeira, no setor dos fundos de investimentos, numa possível domiciliação de fundos de investimentos em Cabo Verde, mas também no turismo.

O próprio Samba Bathily tem feito um trabalho enorme de sempre que ele vem a Cabo Verde de trazer outros investidores de vários países africanos, de Marrocos, Mali, da Nigéria, do Senegal.

Existe muito interesse e vamos ver se isso se concretiza, o que seria interessante, para termos uma diversificação na origem.

MA: E a Europa?

JAD: A nova administração da CVTI iniciou funções em março de 2020 e fez uma proposta ao Governo de criar uma delegação na Suécia, para cobrir o norte da Europa, designadamente os países escandinavos de uma forma geral e é uma aposta estratégica num mercado de nicho, de muita capacidade de compra, de muita capacidade de investimento e sobretudo de muita tecnologia, de tudo o que tem a ver com economia marítima, turismo residencial, saúde.

Estamos convencidos e estamos a ver já este importante investimento da Noruega, fazendo com que Cabo Verde seja o primeiro país produtor mundial de atum em aquacultura.

E esperamos ter mais novidades no próximo ano em termos de investimento vindo do norte da Europa.

MA: Isso a nível da origem. E quanto ao destino dos produtos cabo-verdianos, quais os mercados ou os novos mercados?

JAD: Nós estamos à procura.

Por exemplo, o grogue e derivados, já está a entrar nos Estados Unidos, já temos pessoas a exportar para a Europa, por ser também um excelente mercado.

Há o projeto da Padaria Vitória, que passou de uma pequena padaria nos arredores da cidade do Mindelo e que hoje exporta bolachas de vários tipos para os Estados Unidos, já ultrapassa o nosso mercado étnico, já está a penetrar o mercado latino, por exemplo, nos Estados Unidos, o que é também muito interessante.

Temos na Boa Vista a produção pela Emicela de gelados e café, com o qual eles abastecem os hotéis do Sal e da Boa Vista, mas que muito provavelmente irão abastecer novos hotéis RIU que vão ser construídos em Dacar, no Senegal.

E temos este projeto de aquacultura que irá exportar para o mundo todo, também a fazenda de camarão em São Vicente tem a ambição de exportar a partir do próximo ano.

Devo realçar também que temos duas empresas a exportar para a CEDEAO, designadamente para a Guiné-Bissau, que são a Moave e a Sociave.

É interessante ver que a Moave já exportava farinha para a Guiné-Bissau há dois anos e entrou há um ano a Sociave a exportar ovos para esse país e com a perspetiva também de exportação de frangos.

MA: Quais são as dificuldades neste momento para quem quer investir em Cabo Verde e o que tem sido feito para melhorar o que está mal ou menos bom?

JAD: Há um trabalho que está a ser feito a vários níveis da Administração Pública no sentido de a tornar mais célere. Quando eu falo da Administração Pública eu falo do Estado de uma forma geral, tanto do Governo central, das instituições, dos ministérios, mas também das autarquias.

Nós temos de ter uma atitude mais amiga do negócio e temos que impor mais prazos. Mas já há muitas iniciativas nesse sentido. A questão da empresa no dia, há melhorias, mas isto é campo onde o país tem que melhorar bastante.

MD: Depois deste melhor ano de sempre em 2020, que perspetivas tem para 2021?

JAD: Para 2021 o cenário mantém-se otimista, nós temos mais ou menos o mesmo valor em carteira de volume de investimentos, de cerca de 1.200 milhões de euros de projetos, provavelmente poderá haver mais.

Agora vamos ver como é que o ano vai correr, mas as perspetivas são boas e continua a haver essa diversificação da origem do investimento. Com o aparecimento da vacina, paulatinamente o mundo irá entrar na normalidade novamente e as perspetivas continuam a ser otimistas.

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