O embaixador da Guiné-Bissau em Portugal, Hélder Vaz, defende que as empresas dos países lusófonos devem apostar no país como porta de entrada para um mercado de mais de 380 milhões de consumidores, beneficiando das condições fiscais atrativas.

“Temos um quadro de investimento atrativo, com isenções e reduções fiscais durante oito anos a partir do ano de investimento, temos condições favoráveis conjunturais e muito potencial em áreas com o setor mineiro, com bauxite, fosfatos, zircão, areias pesadas e rochas potencialmente diamantíferas e há evidência de petróleo em quantidades significativas”, elenca o diplomata na entrevista ao Mercados Africanos, concedida em Lisboa.

Motivos e oportunidades para investir neste pequeno país da África Ocidental não faltam, mas ainda assim o embaixador em Portugal apresenta um argumento especificamente vocacionado para as empresas lusófonas.

“O que queremos propor a Portugal e às empresas dos países lusófonos é focalizar a cooperação em clusters de interesse comum, sendo que os do nosso interesse são a agricultura e desenvolvimento rural, turismo, indústrias, conhecimento, infraestruturas, economia do mar e florestal, recursos naturais, energia e fortalecimento do comércio intra-africano”, aponta Hélder Vaz.

A ideia é encontrar interesses comuns que permitam construir empresas com capitais dos dois lados e usar essas empresas para exportar para o mercado da CEDEAO a custos reduzidos.

Na entrevista ao Mercados Africanos, Hélder Vaz exemplificou como o processo pode funcionar: “Uma empresa de calçado portuguesa faz 80% do seu produto cá, depois exporta para a Guiné-Bissau como produto semiacabado, e à luz das tarifas comuns da CEDEAO, não pagará mais do que 3,5% de tarifas aduaneiras, portanto entra com condições favoráveis face ao calçado que vem de Itália, da França ou da China”, explicou.

Depois, chegado à Guiné-Bissau, “usam-se as unidades de transformação onde esse produto vai ser acabado, e desde que tenha mais de 12% de incorporação nacional, é considerado produto de origem, o que significa que pode ser exportado para todo este mercado de 380 milhões de consumidores pagando apenas mais 1% de taxa comunitária de solidariedade, ou seja, são 4,5% de direitos em comparação com outros que pagam 30, 35 ou 40%”, argumentou o diplomata.

“É nesta lógica que queremos trabalhar, porque favorece a criação de indústrias em várias fileiras, cria emprego e favorece as exportações dos nossos parceiros”, acrescentou.

Mas estará a Guiné-Bissau preparada para a logística que uma ideia destas implica? “Temos de criar condições para que isto aconteça, o que implica remover dificuldades estruturais para o estabelecimento das parcerias, quer no quadro legal, quer a nível de financiamento, implementação de um ambiente de negócios favorável, capacitação empresarial, (principalmente do nosso lado) e oferta de instrumentos de financiamento adequados para estas parceiras”.

O caminho não é fácil, mas talvez a visita de António Costa, prevista para dezembro, possa acelerar o processo.

O problema, admite Hélder Vaz, é que a visita corre o risco de ser adiada devido à evolução da pandemia em Portugal.

“O contexto da pandemia e a agenda política interna em Portugal não tem favorecido a definição mais rápida do quadro da visita, felizmente os casos de covid-19 na Guiné-Bissau são relativamente diminutos, mas o contexto em Portugal apela a um empenho do Governo”, reconheceu o diplomata, admitindo um adiamento da visita para janeiro.

“O importante é que António Costa seja o primeiro chefe de Governo a visitar a Guiné-Bissau, é um sinal muito importante, porque chefes de Estado têm ido lá muitos, e isso é muito importante no processo de reafirmação da Guiné-Bissau no concerto das nações”, concluiu.

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