O embaixador da Guiné-Bissau em Portugal defende que o país está a viver um tempo novo, garante que a instabilidade ficou para trás e que o objetivo é voltar a trazer o país para a ribalta dos palcos internacionais, nomeadamente na política africana internacional.

Em entrevista ao Mercados Africanos em Lisboa, Hélder Vaz assegura que “a Guiné-Bissau vive um tempo novo, está a processar uma mudança profunda, estrutural e significativa na vida dos guineenses e na relação com os seus parceiros”.

O diplomata apresenta os argumentos: “A Guiné-Bissau não é o país da instabilidade dos últimos 20 anos, há um alinhamento pleno entre o Governo, o Presidente da República e o Parlamento, os militares estão fora da política e por isso estamos numa nova era, um novo ponto de partida, finalmente”.

Para além da situação política, também a situação económica, diz, é favorável apesar da pandemia, que não afetou de forma significativa a saúde dos 2 milhões de guineenses que habitam este pequeno país da África Ocidental.

“A nossa situação económica é a de um país com um vasto potencial em terra e no mar, com uma dimensão territorial pequena, mas inserido num vasto mercado de mais de 380 milhões de pessoas, a CEDEAO, tem uma classe média que cresce a 10% ao ano e pertence a uma união monetária que tem uma moeda indexada ao euro, com a estabilidade que isso lhe confere, nomeadamente havendo a garantia de possibilidade de reexportação de capitais dos investidores”, responde o diplomata quando questionado sobre qual a situação económica do país.

Do ponto de vista financeiro, as dificuldades são inegáveis, mas isso estende-se a grande parte do mundo devido aos impactos de uma pandemia que ninguém esperava e para a qual ninguém estava preparado.

“Na perspetiva financeira, a Guiné-Bissau enfrenta dificuldades neste contexto da covid, com uma redução do valor das exportações de caju, mas não do volume, porque em quantidade exportámos quase 200 mil toneladas de castanha de caju, mas o preço no mercado internacional caiu significativamente, o que representa uma baixa importante nas receitas”, explica Hélder Vaz, admitindo, ainda assim, que o país está mal preparado para ser uma economia moderna.

“Nos últimos 40 anos o Estado tem funcionado basicamente para pagar salários, havendo quase zero de investimento público, quem tem sido feito através de financiamentos externos, e este é o quadro que queremos mudar”, garante o representante do país em Portugal.

Existe, garante, uma “visão clara” daquilo que o Governo quer que a Guiné-Bissau seja: “um país interdependente das suas relações com os vários parceiros, mas que não dependa da caridade e da esmola internacionais, que não seja um país de mão estendida à caridade internacional como tem sido há 40 anos”.

Como se muda isso, então? Para Hélder Vaz, há que aproveitar o potencial do país e convencer os investidores da capacidade dos líderes garantirem estabilidade não só na política, mas também nos investimentos.

“Temos um potencial agrícola fabuloso, podemos ser o celeiro da UEMAO, um abastecedor de um conjunto de países da região como o Mali ou o Burkina Faso, no interior, temos também potencial pesqueiro significativo, com um dos mares mais ricos da África Ocidental que pode aportar receitas muito significativas e que pode multiplicar as disponibilidades financeiras do Estado para financiar o desenvolvimento”, argumenta o embaixador.

Na entrevista ao Mercados Africanos, Hélder Vaz falou também da diplomacia económica, assegurando que também nesta área o país está diferente, e para melhor.

“Não se faz diplomacia com eficácia sem credibilidade, e a Guiné-Bissau quer deixar de ser um ator menor e passar a estar em pé de igualdade, daí que o Presidente da República diga muitas vezes que não há Estados pequenos, só há países pequenos”, concluiu o diplomata.

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