Embaixador do Marrocos no Brasil disse ao Mercados Africanos que a agenda bilateral favorece os interesses do país sul-americano em África

O Brasil está a promover uma nova ambição estratégia para fortalecer relações económicas com os países africanos na qual empresas e a iniciativa privada terão um papel maior do que os governos para estabelecer parcerias e projetos, disse o embaixador marroquino no país sul-americano, Nabil Adghoghi, em entrevista ao Mercados Africanos.

“Estou vendo como embaixador do Marrocos no Brasil que o Itamaraty [Ministério das Relações Exteriores brasileiro] está promovendo uma nova ambição junto aos países africanos onde a iniciativa privada terá um maior papel, uma atuação mais concreta para promover projetos”, disse Adghoghi.

No comando da representação diplomática marroquina no Brasil desde 2017, o diplomata defendeu que a África está a viver uma grande transformação económica e o atual Governo do Brasil já deu sinais, a partir de uma viagem realizada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, em dezembro de 2019, que pretende aplicar uma nova política externa para aumentar a presença em África.

“A África é um continente que está a viver uma transformação económica grande e o Brasil está a acompanhar ou pelo menos fazendo esforços para capitalizar as ligações humanas e culturais que tem com a África para promover uma narrativa nova nas relações económicas com países africanos”, frisou.

Parceria do Brasil-Marrocos em ótima fase

Segundo Adghoghi, a relação bilateral com o Brasil está “numa fase ótima, os nossos políticos têm um relacionamento intenso, muitos marcos jurídicos estão sendo firmados e o volume do comércio bilateral reflete esta fase, já chegamos a 1,7 mil milhões de dólares na corrente comercial.”

No ano passado, houve um crescimento de 25,8% na corrente comercial Brasil-Marrocos, que totalizou 1,7 mil milhões de dólares. Em 2019 a corrente comercial entre os dois países somou 1,4 mil milhões de dólares, segundo dados divulgados numa plataforma sobre comércio exterior do Governo brasileiro.

As exportações marroquinas ao Brasil cresceram 17,4%, totalizando 1,1 mil milhões de dólares em 2020. O saldo positivo foi alcançado em razão das vendas marroquinas de fosfato usado como fertilizante, que representam 80% dos produtos exportados ao Brasil.

Já as exportações brasileiras para Marrocos cresceram 43% em 2020 na comparação com 2019, totalizando 663 milhões de dólares. O principal produto comercializado pelo Brasil ao Marrocos foi o açúcar e melaço, que representou 60% do montante obtido com as exportações.

O embaixador fez questão de mencionar que este crescimento ocorre depois de uma série de acordos bilaterais concretizados em 2019 numa viagem do ministro das Relações Exteriores do Marrocos, Nasser Bourita, ao Brasil.

Na ocasião, foram assinados tratados para estimular investimentos, acordos no setor de defesa e de prevenção de dupla tributação no transporte marítimo e aéreo.

“Está agora em tramite acordos sobre troca automática de dados [informáticos] e sobre assistência administrativa aduaneira. O objetivo de todas estas ferramentas é permitir um melhor ambiente de negócios para que empresários marroquinos e brasileiros atuam de maneira mais fácil e confortável”, explicou o diplomata.

“A estrutura do comércio bilateral ainda é muito clássica, o Marrocos exporta fertilizantes e o Brasil exporta “commodities.” A ideia é ir além, esta é uma ambição muito legítima e, por isto, foi preciso começar pelo começo, ou seja, preparar um marco jurídico mais adequado e permitir uma maior expressão do setor privado dos dois países. Por isto, fizemos o acordo aduaneiro, dos dados e o acordo para evitar bitributação do transporte marítimo”, frisou.

Adghoghi também avaliou que é preciso implicar mais o setor privado de ambos os lados em ações de comércio e investimentos, que podem servir de modelo para aumentar a participação do Brasil em outros mercados do continente africano.

Para o embaixador, o Brasil deveria usar a mesma estratégia que em curso nas relações comerciais com o Marrocos.

“Se o Brasil tiver um marco jurídico cada vez mais firme, mais abrangente, e uma implicação do setor privado com estes países porque, afinal de contas é o setor privado quem vai promover o comércio, [todos] vão ganhar”, concluiu.

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