Emigrantes africanos: o suporte das famílias no país de origem.

As remessas combinadas enviadas para África foram avaliadas em 84,3 mil milhões de dólares em 2019, o que excedeu a ajuda ao desenvolvimento recebida pela região.

De forma simples, os migrantes africanos contribuíram, em 2019, substancialmente mais para o continente do que as ajudas ao desenvolvimento.

No entanto, as remessas para os países africanos deverão descer 5,4% este ano (2021), caindo de 44 mil milhões de dólares, em 2020, para 41 mil milhões este ano devido aos efeitos da pandemia, de acordo com o relatório sobre a Migração Continental, produzido pela Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA) e pela União Africana consultado por Mercados Africanos.

O relatório foi elaborado a partir de quatro relatórios sub-regionais compilados pela CEA e um resumo das consultas às partes interessadas na recém-concluída reunião de revisão regional africana de 2021 sobre o Pacto Global para a migração, realizada de 26 de agosto a 1 de setembro 2021, em Marrocos.

Embora se esperasse que a pandemia COVID-19 levasse a uma diminuição nas remessas para a África em 2020, os resultados dos relatórios mostram que em outubro de 2020 as remessas para o continente haviam atingido aproximadamente 78,4 mil milhões de dólares, constituindo 11,7 por cento das remessas globais.

Com isso, as remessas demonstraram uma grande resiliência e confiabilidade como fonte de capital em direção de África e o papel da Diáspora na salvaguarda dos rendimentos das famílias africanas mas consequentemente no desenvolvimento do continente.

No relatório divulgado nesta segunda-feira, 13 de setembro 2021, lê-se “O fluxo de remessas vai ser mais importante que nunca … especialmente para aqueles sem acesso a redes de segurança económicas e sociais”.

No entanto, o relatório revelou – o que se sabe – que os custos associados ao envio de remessas para África são dos mais altos do mundo.

Recorde-se que a Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento e o Objetivo de desenvolvimento Sustentável número 10 da ONU – e a que todos países aderiram – preveem que os países devem, até 2030, reduzir para menos de três por cento os custos de transação das remessas de migrantes e eliminar as remessas com custos superiores a cinco por cento.

“Estima-se que as remessas constituam aproximadamente 65% da receita de alguns países recetores e os remetentes gastem cerca de 15% do montante da remessa nos custos do envio. Para 25 países africanos, todos com grandes populações na diáspora, as remessas são a principal fonte de renda nacional”, sublinhou o relatório.

Numa nota positiva, o relatório observou que muitos países africanos tomaram medidas para reduzir os custos das transferências das remessas e instituíram controles cambiais flexíveis para permitir transferências eletrónicas e móveis de dinheiro a partir de plataformas digitais que podem encurtar estas despesas em 7%.

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