Entrevista Exclusiva a Andreia Benolli, Presidente da Associação Empresarial de Cabo Verde

Parte I

Empresários cabo-verdianos criam associação (I)

Em plena pandemia da covid-19, empresários cabo-verdianos constituíram em setembro de 2020 uma associação, a Associação Empresarial de Cabo Verde, que segundo o seu presidente, Andreia Benolli, é a “voz que faltava” para levar os problemas do setor privado “onde é preciso”.

Em entrevista ao Mercados Africados, o líder empresarial não tem dúvidas que só associando se consegue ter “resultados melhores”, mas ainda num trabalho voluntário para ajudar sobretudo empresas ligadas ao turismo e que enfrentam muitas dificuldades, muitas derivadas da crise pandémica.

Mercados Africanos: A Associação Empresarial de Cabo Verde (Cabo Verde Empresas) existe desde quando e qual foi a necessidade da sua criação?

Andreia Benolli: Em princípio, era uma associação criada apenas pelas pequenas e médias empresas do Sal, mas reparamos que os nossos problemas eram também das outras empresas em outras ilhas, pelo que decidimos abranger todo o setor empresarial a nível nacional. A nossa associação foi constituída em setembro 2020.

A nossa associação teve logo muito sucesso, porque os empresários conseguiram ver que somos uma associação livre de qualquer influência política, constituída e gerida apenas para empresários do setor privado e a favor dos empresários.

Conseguimos levar a voz do setor privado onde é preciso, onde se definem as regras do jogo e as políticas que influenciam a economia e o nosso trabalho diário. Uma voz que faltava!

MA: Quantas empresas fazem parte da associação, de que setor de atividade e quantas pessoas empregam?

AB: Hoje em dia contamos com mais de 200 empresas associadas onde trabalhavam 1.300 pessoas antes da pandemia, em prevalência nas micro e pequenas empresas. Nomeadamente às atividades económicas mais representadas, temos bares, restaurantes, agências de turismo e guias turísticas.

MA: Qual a diferença entre a Cabo Verde Empresa e as Câmaras de Comércio, que também representam as empresas?

AB: As Câmaras de Comercio em Cabo Verde são instituições muitos importantes, grandes e até antigas, no sentido que foram criadas há muito tempo, pelo que conseguem ter mais recursos em termos financeiros, até através de serviços públicos e de consequências muitos funcionários contratados, delegações, equipamentos, mobília, etc. Temos até investimentos feitos no âmbito da imobiliária.

Cabo Verde Empresas é muito mais pequena, simples, rápida e não tem trabalhadores contratados (somos todos voluntários, ou seja, ninguém recebe um salário) pelo que conseguimos dar responsas imediatas aos nossos associados e, mais de que tudo, conseguimos ouvir cada um deles diretamente.

Somos uma associação democrática e para todos! Os associados têm os mesmos direitos de votos e pagam a mesma quota mensal de 1.000 escudos. Ser micro ou grande empresa não faz a diferença, porque o que verdadeiramente conta em Cabo Verde são as pessoas e as ideias que estas podem trazer em prol do negócio de todos.

MA: A Associação tem uma abrangência nacional ou ainda há ainda onde falta chegar?

AB: Neste momento, temos a nossa sede na ilha do Sal e duas delegações regionais em Boa Vista e São Vicente. Estamos próximos da abertura da nossa terceira delegação em Santo Antão e em breve será na capital, Praia.

MA: Que dificuldades essas empresas enfrentam no dia a dia?

AB: Quase a totalidade das empresas associadas são ligadas ao turismo interno e internacional, pelo que as dificuldades são muitas e principalmente causada pela falta de clientes e conseguinte redução do cash-flow. Muitas empresas iniciaram a crise pandémica com dívidas bancárias ligadas a novos investimentos e acrescentaram as dividas durante este último ano para apoiar os funcionários em lay-off e os custos fixos. Os desafios, portanto, são essencialmente ligados a redução dos custos e aumento das receitas ou das margens em gerais.

O que faz tudo ainda mais complicado para empresários é que depois de 18 meses, não conseguimos ter alguma certeza da retoma e este, mais do que os aspetos financeiros, influenciam de forma brutal a psicologia dos empresários.

Neste sentido, a Cabo Verde Empresas está disposta a ajudar os associados em continuar a ter fé, porque na história económica de qualquer país sempre houve momentos difíceis, mas também tivemos e vamos ter momentos extraordinários.

(continua)

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