Energia em África: É preciso pensar “fora da caixa”

É preciso encontrar soluções inovadores e ousadas, pensar “fora da caixa” e buscar novos investidores, por exemplo, os fundos de pensões, em geografias menos tradicionais.

Em suma, foi esta a mensagem deixada pelos empresários e angariadores de financiamento à Câmara de Energia Africana, uma instituição destinada a facilitar os investimentos no continente africano.

Numa conferência a que Mercados Africanos assistiu, os responsáveis das empresas e instituições debateram a melhor maneira de a Câmara captar os investimentos que estão disponíveis e as melhores soluções para os canalizarem para um setor fundamental no crescimento das economias africanas: a energia.

O Comité de Investimentos da Câmara, composto por peritos e empresários de vários ramos industriais, reconheceu que a captação de financiamentos para projetos estruturantes tornou-se mais difícil no contexto da pandemia, mas vincou que nada está perdido e que África continua a ser um destino altamente rentável para os investidores, desde que os investidores reconheçam boas oportunidades.

“Temos de articular claramente quais são as necessidades nos diversos países africanos e quais são as carências em cada um deles, e sempre que possível devemos tentar chegar aos investidores locais”, sugeriu o diretor comercial da Mixta Africa, Rolake Akinkugbe-Filani.

O apetite pelos projetos de infraestrutura africanos “existe, mas é preciso encorajar a inovação para cumprir múltiplos objetivos, como desenvolver a infraestrutura e as fontes energéticas tradicionais, mas também facilitar a transição para as energias renováveis”, acrescentou o empresário.

Durante o encontro, ressaltou também a ideia de que os governos têm de se empenhar e agir como angariadores de investimento, garantindo que existe “uma revisão dos incentivos fiscais e das garantias para assegurar que o retorno sobre o investimento é encorajador”.

O financiamento para investimento em hidrocarbonetos vai competir não só com oportunidades semelhantes noutros continentes, mas também com outros setores, como a agricultura, a tecnologia e as energias renováveis, apontou vice-presidente para África da tecnológica norte-americana ION, Folarin Lajumoke.

A Câmara de Energia Africana vai lançar uma campanha para atrair investimento para África, beneficiando da sua rede de contactos internacionais e dos parceiros locais, começando por identificar as necessidades energéticas em cada país e depois contactando diretamente os investidores que possam suprir essas necessidades.

Este ano, resumiu a diretora de relações internacionais da Câmara, “é importante, com projetos históricos a serem lançados, desde o Senegal a Moçambique, passando pela Guiné Equatorial, nomeadamente no setor do gás”.

O continente africano representa apenas 3% das emissões que provocam o efeito de estufa, apesar de albergar 14% da população mundial, por isso “a colaboração e adaptação ao ambiente de transição, bem como aproveitar os recursos locais naturais, tais como a energia solar, será fundamental para atingir o objetivo de acabar com a pobreza energética” que ainda caracteriza boa parte do continente.

Imagem: Wikimédia.org CC BY-SA 4.0

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