Em entrevista ao Mercados Africanos, Philip Kamau apresenta o FDEA e diz que o continente africano vai beneficiar enormemente do acordo de livre comércio na região (ZCLCA).

O presidente do Fundo para o Desenvolvimento das Exportações Africanas (FDEA), considera que África vai emergir da crise pandémica mais forte e resiliente se houver gestão dos governos e a reabertura das economias.

“Os pressupostos fundamentais para o crescimento de África continuam positivos a médio e longo prazo, mas a pandemia vai abrandar o caminho, é certo, por isso estamos cautelosamente otimistas sobre o crescimento”, disse o banqueiro, salientando que “a recuperação dos países vai depender principalmente da sua gestão da pandemia e de quão rápido as economias podem reabrir-se totalmente”.

Na entrevista concedida a partir de Kigali, a sede do FDEA, Philip Kamau apresentou este instrumento financeiro de ajuda às empresas exportadoras, apontando que o grande objetivo é ajudar as empresas a aumentarem as exportações e as trocas comerciais na região, beneficiando do apoio que as novas regras de comércio trazem, ao abrigo do AfCFTA, que junta 1,2 mil milhões de pessoas com um PIB total de 3 biliões de dólares.

“Esperamos um aumento do comércio intra-africano e o gradual estabelecimento de cadeias de valor e de oferta robustas para África, diversificando a capacidade produtiva de forma a não depender excessivamente da exportação de matérias-primas”, disse o responsável, acrescentando que o continente deve aproveitar a vontade das grandes multinacionais de se estabelecerem perto dos locais de produção dos materiais.

“Isto ficou evidente em indústrias como a madeireira, no Gabão, onde as empresas asiáticas estão a relocalizar as suas fábricas para estarem mais perto da fonte dos materiais, e África pode beneficiar deste movimento que se tornou mais premente no contexto da pandemia de covid-19, que dificultou a exportação da produção dos materiais”, argumentou Philip Kamau.

Na entrevista ao Mercados Africanos, o presidente da FDEA disse que tem 350 milhões de dólares para a criação do Fundo, mas explicou que esse valor pode ser alavancado para chegar aos 500 milhões e crescer para mil milhões de dólares daqui a uns anos.

“O Afreximbank desembolsou 350 milhões para a criação do fundo e para operações, investimentos estratégicos e parcerias; o primeiro fundo privado tem uma meta de 500 milhões e deverá crescer para mil milhões daqui a uns anos”, explicou Philip Kamau.

O objetivo é capitalizar as empresas exportadoras africanas, principalmente as pequenas e médias empresas que querem crescer, já que “são a base do renascimento económico do continente”.

O Fundo é uma empresa privada patrocinada pelo Banco Africano de Importações e Exportações (Afreximbank) com o objetivo de implementar o mandato do Banco relativamente aos investimentos próprios em empresas que possam gerar rendimento.

“O objetivo é dar verbas para o desenvolvimento e capital financeiro, não financeiro e apoio às operações para as empresas que promovem o comércio intra-africano, desenvolvimento das exportações manufaturadas e a industrialização”, apontou o líder do FDEA.

Questionado sobre a resposta africana à pandemia, Philip Kamau elogiou a atuação dos governos africanos na pandemia de covid-19 e disse que a reação às adversidades foi notável, tendo em conta que houve, até outubro, apenas 3,5% de mortes relacionadas com a doença, quando a população africana representa 17% da população mundial.

“A ramificação económica da pandemia é que a economia africana vai contrair-se 3% em 2020, o que compara com uma recessão mundial de 5% e um recuo de 7% nas economias avançadas”, apontou o banqueiro, mostrando-se convicto de que em 2021 o continente já vai crescer 3%, apenas um ponto abaixo dos 4% previstos antes da pandemia, devido “aos esforços dos governos para achatarem a curva de contágio e à implementação de políticas para a reabertura das economias”.

“Acredito que os governos africanos vão aproveitar a crise para desenvolverem novas políticas e darem prioridade aos investimentos que garantam mais resiliência, aumentem a produtividade e gerem mais e melhores empregos inclusivos”, disse Philip Kamau, concluindo que “um bom exemplo é o aumento dos investimentos nas infraestruturas digitais através da expansão das redes e a adoção de novas tecnologias para tornar a conectividade acessível e confiável”.

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