A situação económica em Angola piorou com a pandemia, mas os credores confiaram nas reformas lançadas pelo Governo e ajudaram o país a enfrentar os desafios causados pela descida dos preços e da produção de petróleo, disse a Mercados Africanos a analista da Coface que acompanha a evolução da economia do país.

“A situação deteriorou-se mas os credores internacionais vieram salvar Angola”, disse Dominique Fruchter. Para esta analista da maior seguradora de crédito do mundo, a Coface, “a degradação da situação financeira em Angola foi colmatada com o aumento da ajuda dos credores”, que aliviaram os pagamentos da dívida de Angola em 6,2 mil milhões de dólares até 2023.

O Fundo Monetário Internacional aumentou o programa de assistência financeira a Angola em 800 milhões de dólares, elevando o total para 4,5 mil milhões, um dos maiores em África, e Angola é o país que mais beneficia da Iniciativa para a Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI), para além de ter negociado uma reestruturação da dívida de 3,4 mil milhões de dólares devida a bancos chineses, elencou a analista.

“Tudo isto leva a um alívio da dívida no valor de 6,2 mil milhões de dólares até 2023”, apontou Dominique Fruchter, salientando que o otimismo da COFACE, que não agravou o risco do país desde o início da pandemia, sustenta-se também na solidez do Governo.

“As autoridades estão numa posição política sólida que lhes permite continuar com as reformas e a consolidação orçamental”, disse a analista, acrescentando que “as pessoas apreciam a luta em curso contra a corrupção e as acusações judiciais contra os membros da antiga família presidencial que são suspeitos de enriquecimento pessoal”.

Não escondendo as dificuldades atuais da economia angolana, a braços com cinco anos de recessão económica e uma dívida pública muito elevada no seguimento da liberalização cambial que enfraqueceu o Kwanza, a analista diz, ainda assim, que “o investimento externo no petróleo e gás vai retomar-se nalgum ponto, e o interesse dos investidores pode ser alargado a outros setores através do processo de privatizações” que o Governo lançou.

“Por tudo isto, só podemos chegar à conclusão que apesar de o risco de incumprimento financeiro, ou default, continuar elevado, não está significativamente pior que antes da crise devido ao apoio internacional, principalmente, chinês”, aponta a analista, concluindo que “o default não é o cenário central da Coface, que até espera que outros credores concedam mais reestruturações”.

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