Jorge Bom Jesus disse em entrevista ao Mercados Africanos que o seu país encontra-se num melhor caminho, dois anos depois de uma governação que iniciou com “os cofres do estado numa situação calamitosa”.

“Basta dizer que herdamos um país completamente apagado, com menos de dez megawatts para uma procura de aproximadamente 20 megawatts. Portanto já dá para imaginar em que estado estava o país”, disse Jorge Bom Jesus, cujo país é eletricamente alimentado pelas energias térmicas.

Jorge Bom Jesus disse que recebeu o país com “imensos problemas” económicos, sociais e financeiros, e uma sociedade dividida devido a problemas políticos.

“Havia o problema dos salários, herdámos um país em que durante o três últimos meses, setembro, outubro e novembro se tinha recorrido aos bancos comerciais para pagar salários com tudo o que isso comporta em termos de falta de pagamento a segurança social entre outros”, explicou.

Jorge Bom Jesus referiu-se a várias “debilidades” que ser está a “superar a pouco e pouco” incluindo os problemas energéticos “resolvidos” com apoios das empresas petrolíferas que operam no país.

“Mas um dos grandes problemas que encontramos e continuamos a ter é um tecido empresarial totalmente descapitalizado e foi preciso, a pouco e pouco – e ainda não o conseguimos fazer na totalidade – reabilitar esse tecido empresarial e neste momento, com apoio dos parceiros, colocámos nos bancos cerca de três milhões de dólares para dar alguma robustez e consistência às empresas nacionais”, acrescentou ele.

Adianta que esse processo tem sido feito com apelo a investimento de capital privado estrangeiro, uma “dinâmica que começamos estimulando a atração do investimento direto estrangeiro”.

Considera que os “efeitos desejados” desse apelo ainda não se concretizaram, mas “muitas empresas vão se instalando” e vários processos estão em curso.

Nesse âmbito lembrou um “grande projeto” de investimento em curso que é a Zona Franca de Malanza, no sul da ilha de São Tomé que o primeiro ministro considera de “um investimento grande” que está a receber “os últimos retoques” para estar concluído.

Mencionou também um projeto que já está em funcionamento, designadamente as Águas de Bom Sucesso, um investimento acima de dois milhões de euros, além de várias instâncias a nível do turismo que estão a instalar-se, particularmente um investimento do cidadão francês cuja história o Mercados Africanos já publicou.

No entanto, lamentou que o período da pandemia que o seu país vive “quebrou o ímpeto de muitos negócios”, mas “tem fé” que logo que este momento difícil se ultrapassar o seu governo vai conseguir atrair esses investimentos.

Jorge Bom Jesus considera o efeito económico e social da Covid-19 como “um verdadeiro holocausto”, que “está a superar as duas guerras mundiais”.

“São Tomé e Príncipe, um pequeno país periférico vai lidando com a situação como pode e felizmente temos contado com a generosidade, a sensibilidade dos nossos parceiros de desenvolvimento tanto multilaterais como bilaterais, o que nos permitiu em termos sanitários termos atingidos até este momento somente 17 óbitos, o que é lamentável, mas comparando com outros quadrantes, estamos muito aquém da mortandade que tem estado a acontecer pelo mundo fora”, disse.

Jorge Bom Jesus diz que apesar da Covid-19, do ponto de vista económico e financeiro o seu país conseguiu no final de 2020 um crescimento de cerca de 3%

“terminámos o ano – os dados estão a ser compilados – mas inicialmente havia a previsão de uma receção, mas conseguimos um crescimento de cerca de três por cento, em termos de reservas líquidas externas com quatro meses de importação, o que para nós já é bastante bom”, sustenta Jorge Bom Jesus.

A inflação, num dos mais pequenos países africanos cresceu, entretanto, para cerca de 9,4%, mesmo assim o primeiro ministro de São Tomé e Príncipe considera que o desempenho macroeconómico “parece satisfatório”, comparativamente com aquilo que considera “as previsões mais pessimistas”.

Com um Orçamento Geral do Estado aprovado, situado na ordem dos 166 milhões de dólares, lançou-se o projeto de retoma económica pós-Covid-19, apesar da doença entrar na sua segunda vaga.

“Vamos continuar a trabalhar no sentido da retoma económica. Naturalmente que na vertente sanitária temos que ter os dados controlados, temos agora essa segunda vaga (da pandemia), os dados estão a crescer, sobretudo ao nível da Região Autónoma do Príncipe e aqui em São Tomé também, há algum relaxamento da população, mas estamos a trabalhar no sentido de sensibilizar as populações sobretudo para aquelas regras básicas como a higienização, o distanciamento e o uso das máscaras”, explica Jorge Bom Jesus ao Mercados Africanos, garantindo que o seu governo “vai apertar ainda mais” os dois pontos de entrada no país, designadamente o porto e aeroporto.

 (Fim de primeira parte)

Leia aqui a Segunda parte desta entrevista

Leia aqui a Terceira parte desta entrevista

Leia aqui a Quarta e última parte desta entrevista

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite o seu comentário!
Por favor, digite aqui o seu nome