Nesta segunda parte da entrevista exclusiva ao Mercados Africanos, o primeiro ministro de São Tomé e Príncipe, Jorge Bom Jesus disse que o seu governo passou os primeiros 12 meses de governação a fazer o que descreveu como “arrumar a casa”.

“Arrumar a casa” numa conjuntura de grave situação financeira, com uma divida oculta de cerca de 80 milhões de euros feita pelo executivo cessante, que o próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) não conseguiu descobrir, apesar de quase uma dezena de missões de avaliação macroeconómica efetuadas ao país durante os quatro anos de governo de Patrice Trovoada.

A “situação calamitosa”, em que diz ter encontrado os cofres de Estado agravou-se com o surgimento inesperado da pandemia do novo coronavírus que matou 17 pessoas, afetou até agora cerca de 1. 300 pessoas, levou a desemprego centenas de trabalhadores, particularmente do ramo turístico, construção civil, comércio e restauração.

Na entrevista ao Mercados Africanos, o primeiro ministro de São Tomé e Príncipe garante que mesmo ainda em tempo da pandemia, urge recuperar a economia do pequeno país africano.

“No OGE (Orçamento Geral do Estado) de 2021, em termos de distribuição, nós temos a infraestrutura com um pouco mais de 27, 7%, depois temos os setores sociais, a saúde como não podia deixar de ser, com mais de 13%, nós temos a educação e por ultimo a agricultura e pescas, em termos, digamos hierárquicos”, explicou.

Defendeu a maior fatia de bolo para as infraestruturas referindo que o seu país “carece de infraestruturação”.

“Precisamos de relançar o investimento publico para poder também relançar o emprego”.

Quanto aos setores sociais, o primeiro ministro sublinha a evidência do financiamento do orçamento do Estado, sobretudo na saúde onde considera necessário “fazer um esforço grande” no sentido de modernizar todo o sistema sanitário.

 “Temos que fazer um esforço grande no sentido de modernizar o nosso sistema nacional de saúde e preparar o país para o pior, criando as condições mínimas para que os são-tomenses tenham acesso a uma saúde de qualidade aceitável”.

O governo sublinha também os apoios recebido dos parceiros dos sistemas das Nações Unidas como a OMS, Unicef, destacando ainda o Fundo Global que “conseguiu mobilizar para o país 11 milhões de euros para a erradicação do paludismo até 2025, mas também na intervenção nas doenças como o HIV-Sida e Tuberculose”.

“temos ainda o Banco Mundial que vai colocar cerca de oito milhões de dólares para intervenção a nível das famílias vulneráveis, possivelmente vamos poder ascender para cerca de 16 mil famílias numa intervenção pontual para cerca de nove meses, no quadro da pandemia”, explicou.

O executivo de São Tomé pretende com o investimento neste setor reduzir ao mínimo a evacuação de doentes para o estrangeiro, no caso concreto Portugal onde existem, apenas em tratamento de problemas renais, mais de 80 cidadãos, além de vários outros com outras patologias.

No setor da educação, cujo sindicato está a negociar com o executivo as reivindicações de aumentos salariarias no meio de uma greve iniciada no dia 02 deste mês, Jorge Bom Jesus pretende “apostar” na formação de quadros.

“O nosso compromisso é com as pessoas, com cada são-tomense, até porque não somos assim tanto, um universo de cera de 200 mil habitantes e tudo o que nós pudermos fazer justamente para qualificar esses são-tomenses tanto dentro como fora do país vamos tentar faze-lo”, garantiu.

A par do investimento nas infraestruturas  e no setor social o governo são-tomense diz ter planos para promover uma autossuficiência alimentar, apostando na agricultura com ajuda de parceiros.

“Temos estado a falar da necessidade de autossuficiência alimentar, na perspetiva de soberania alimentar, queremos debelar a pobreza numa perspetiva de fome zero, temos e temos vários parceiros neste eixo, sobretudo o FIDA e FAO.

Em fevereiro de 2020 o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) aprovou um projeto para São Tomé e Príncipe de 25 milhões de dólares para um período de seis anos. Foi dado a esse projeto o nome de CONPRAN (projeto de apoio a Comercialização, Produtividade Agrícola e Nutrição).

A verba será repartida em cera de 4, 1 milhões de dólares por ano. O projeto arrancou de fato, em finais do ano passado com a constituição do seu corpo diretivo.

“A intervenção é mesmo para o desenvolvimento rural. Não é só na produção e produtividade mas também na comercialização, distribuição, da conservação, portanto numa visão mais sistémica do mundo rural”, diz o governante.

O Fida diz que o seu financiamento destina-se a melhoria da segurança alimentar e nutricional e o reforço da resiliência em água para cerca de 34.800 agricultores de São Tomé e Príncipe e descreve a situação de São Tomé e Príncipe como um arquipélago que se confronta com os efeitos das mudanças climáticas, onde a subida do nível da água do mar e as perturbações climáticas, põem em perigo a população rural pobre do país, com repercussão sobre a agricultura e a pesca.

De acordo com os dados estatísticos do país, 96% das crianças com idade pré escolar e 18% das meninas e das mulheres gravidas sofrem de carência em vitamina A. A taxa de malnutrição em crianças com menos de 5 anos ultrapassa os 17% », destaca o comunicado.

Dados estáticos revelam ainda que 69% dos jovens do país estão no desemprego, por isso, o Compran programou 19,2 milhões de euros do seu financiamento terá como alvo 50% dos jovens são-tomenses.

Jorge Bom Jesus defende que o seu país tem que crescer economicamente para poder resolver os seus problemas que são imensos, mas esse crescimento deve passar por investimento no setor privado.

(Fim da segunda  parte)

Leia aqui a Primeira parte desta entrevista

Leia aqui a Terceira parte desta entrevista

Leia aqui a Quarta e última parte desta entrevista

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