Escritores africanos vencem dois prémios de renome internacional.

Os escritores africanos estão a ter cada vez maior reconhecimento internacional, disso são exemplo estes reconhecidos premiados.

O  Prémio Booker, é um dos mais prestigiados e aquele que os escritores mais anseiam, este ano, foi ganho por dois africanos (língua inglesa e internacional).

Damon Galgut, vencedor do Prémio Booker de ficção em língua inglesa, com o romance "The Promise" (A promessa)
Damon Galgut, vencedor do Prémio Booker de ficção em língua inglesa, com 0 romance “The Promise” (A promessa)

O escritor sul-africano Damon Galgut foi o vencedor do Prémio Booker de ficção em língua inglesa, pelo romance “The Promise” (A promessa), anunciou nesta quinta-feira, 4 novembro 2021, o júri, em Londres.

Nascido em Pretória, em 1963, Galgut que escreveu o primeiro romance aos 17 anos, “A Sinless Season”, Galgut já tinha sido nomeado por duas vezes para o prémio e, finalmente, alcançou-o com uma história do seu país, que decorre no final do “apartheid”, na qual “nos deixa entrar” nas relações entre os membros de uma família branca em decadência, através da sequência de quatro funerais.

“The Promise” é o nono romance de Galgut que vive na Cidade do Cabo e cujo romance de 2005 “The Quarry” foi adaptado ao cinema.

A presidente do júri, a historiadora e académica Maya Jasanoff, não só comparou abordagem de Galgut à vida familiar com o estilo de narrativa do escritor norte-americano o imortal William Faulkner, Nobel da Literatura em 1949, mas também estabeleceu paralelos com a escritora britânica Virginia Woolf.

“Este é um livro sobre legados, aqueles que herdamos e aqueles que deixamos e, ao atribuir-lhe o Prémio Booker deste ano, esperamos que ressoe nos leitores, ao longo das décadas por vir”, sublinhou a presidente do júri.

David Diop, vencedor do Prémio Booker internacional, com “At Night All Blood is Black” (À Noite Todo o Sangue é Negro)

Já o Prémio Booker internacional tinha sido entregue ao franco-senegalês David Diop, com “At Night All Blood is Black” (À Noite Todo o Sangue é Negro), tendo-se assim  tornado o primeiro escritor francês a receber esta distinção.

O vencedor, David Diop, nasceu em Paris em 1966, filho de mãe francesa e pai senegalês. Mudou-se para Dacar aos cinco anos de idade, passando a maior parte da sua infância no Senegal, até voltar, aos 18 anos, para França após terminar o ensino médio, para ingressar na universidade.

Diop fez o doutoramento na Sorbonne, sobre literatura francesa do século XVIII, e em 1998, tornou-se professor de literatura na Universidade de Pau, na região de Adour, com especialização em literatura francesa do século XVIII e em literatura francesa africana. Em 2009, foi nomeado chefe de um grupo de pesquisa sobre a representação da África e dos africanos na literatura europeia dos séculos XVII e XVIII.

Publicou o seu primeiro livro, uma obra de ficção histórica intitulada 1889, l’Attraction universelle, em 2012. O romance descreve as experiências de 11 membros de uma delegação senegalesa à Exposition Universal de 1889 em Paris.

O romance vencedor, “At Night All Blood is Black” (À Noite Todo o Sangue é Negro), narra um episódio iniciado nas trincheiras francesas durante a Primeira Guerra Mundial, quando um grupo de soldados senegaleses combatia pela França. De acordo com David Diop, esta obra foi inspirada na história do seu avô.

A presidente do júri, Lucy Hughes-Hallett, sublinhou o “poder aterrador” da obra premiada, e a sua “visão obscura e brilhante”.

A somali, de nacionalidade britânica, Nadifa Mohamed, com o romance “The Fortune Men”, fez parte dos restantes finalistas.

Enquanto isto se passava em Londres, em Paris, o júri do Prémio Goncourt, o mais prestigiado das letras francesas, anunciou nesta quarta-feira 3 novembro 2021, o escritor senegalês Mohamed Mbougar Sarr como o vencedor do mesmo, com o romance “La plus secrète mémoire des hommes” (A memoria mais secreta dos homens) considerado pelo júri “um hino à literatura”, sublinhou a academia Goncourt.

O escritor senegalês Mohamed Mbougar Sarr, o primeiro escritor da África subsaariana a ser galardoado com o prémio Goncourt
O escritor senegalês Mohamed Mbougar Sarr, o primeiro escritor da África subsaariana a ser galardoado com o prémio Goncourt

O escritor senegalês Mohamed Mbougar Sarr 31 anos, tornava-se assim o primeiro escritor da África subsaariana a ser galardoado com o prémio Goncourt, e o mais jovem vencedor desde Patrick Grainville em 1976, entrando assim para a elite dos escritores que o ganharam.

“Sinto muita alegria. Sinto muita alegria”, disse o escritor à imprensa, à chegada ao famoso restaurante Drouant, e acrescentou: “Não há idade na literatura. Pode-se chegar muito jovem, ou aos 67, aos 30, aos 70 ou ser-se muito velho”.

“Com este jovem autor, estamos de volta às bases do Goncourt. 31 anos de idade, alguns livros à sua frente. Esperemos que o Goncourt não corte o seu desejo de continuar”, comentou Philippe Claudel presidente do júri, do qual fazem parte sete homens e três mulheres, escritores ou intelectuais de renome da cultura francesa.

Nascido em 1990 e filho de um medico que exerce no centro do Senegal, Mohamed Mbougar Sarr já tinha escrito dois livros, o primeiro aos 24 anos e o segundo, mais recente “Silence du coeur” (Silêncio do coração), em 2017.

Marcel Proust, Simone de Beauvoir, Tahar Ben Jelloun, Érik Orsenna, Amin Maalouf, são alguns dos grandes escritores que já foram distinguidos com o Premio Goncourt, criado em 1903.

A vitória de Mohamed Mbougar Sarr foi anunciada no mesmo dia em que se soube que o sul-africano Damon Galgut, com o livro “The Promise” (“A Promessa”) e o franco-senegalês David Diop, com “At Night All Blood is Black” (À Noite Todo o Sangue é Negro) tinham ganho o Booker Prize 2021.

Além destes, também ainda este ano, foram distinguidos mais escritores africanos com outros prémios de renome.

O autor tanzaniano-britânico Abdulrazak Gurnah ganhou o Prémio Nobel da Literatura e o senegalês Boubacar Boris Diop venceu o Prémio Internacional de Literatura de Neustadt. Em Portugal, a escritora moçambicana Paulina Chiziane foi escolhida para receber o Prémio Camões 2021 e, na Alemanha, Tsitsi Dangarembga, do Zimbabué, foi distinguido com o Prémio da Paz 2021 atribuído pela Associação do Comércio do Livro Alemão.

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