O mito de uma América com bases democráticas sólidas e infalíveis desmoronou-se por todo o Mundo quando ontem (06/01) todos vimos nas televisões as imagens do ataque ao Capitólio por parte de milhares de manifestantes pró Trump que tentaram impedir a validação pelo Congresso da vitória de Biden/Harris e que também reagiam ao anúncio dos resultados das eleições para senador do Estado da Geórgia, que deram a vitória a um democrata negro, Jon Ossoff , eleito em detrimento de um candidato republicano, o que fará pender a balança do Senado Americano em favor dos democratas.

O óbvio é que a democracia americana tem estado sobre ameaça mesmo antes das eleições, mas sobretudo depois dos primeiros resultados eleitorais e da anunciada vitoria da dupla Biden/Harris.

Trump, ao longo do processo eleitoral, conseguiu incutir nas suas dezenas de milhões de votantes e simpatizantes a desconfiança nas instituições americanas, sobretudo no processo eleitoral, e tinha prometido uma surpresa para esta quarta-feira, 6 de janeiro de 2021. Nunca pensámos num ataque ao Capitólio, mas essa surpresa aconteceu.

Apoiantes descontentes de Donald Trump invadiram o Capitólio, ameaçaram as autoridades eleitas que estavam no Congresso para certificar a vitória de Joe Biden, pressionaram o fim da reunião e a evacuação do mesmo. A imprensa americana refere-se a quatro vítimas mortais e 52 feridos.

As imagens chocantes do Capitólio que circulam nos canais de televisão por todo o mundo são uma humilhação e a queda do mito que foi mantido e promovido pelos Estados Unidos, mas não só , como o líder mundial da democracia, isto apesar de todos nós conhecermos a segregação e discriminação racial e uma sociedade que continua a ter “dois pesos, duas medidas” sobretudo em relação aos negros americanos.

A confusão e recolher obrigatório agora em vigor em Washington, devido aos eventos do Capitólio, culminam uma série de incidentes graves, entre eles, tal como noticiamos, o recente telefonema no qual Donald Trump, pressionou o principal oficial de operações eleitorais da Geórgia para tentar fazer com que ele mudasse o resultado da eleição presidencial de 3 de novembro, nesse estado, a seu favor.

As organizações internacionais que a todo o momento estão empenhadas em ajudar, desenhar programas de reforço democrático, de estado de direito ou enviar missões de avaliação eleitoral ou pós eleitoral aos países africanos, deveriam, no nosso entender, propor neste momento critico, o mesmo tipo de ajuda aos Estados Unidos. Todos os estados membros dessas organizações merecem ser tratados e sobretudo apoiadas da mesma maneira.

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