OS Estados Unidos da América (EUA) anunciaram disponibilidade em apoiar os esforços do Governo de combate ao terrorismo em Cabo Delgado, através da capacitação e equipamento dos órgãos da lei e ordem.

O anuncio foi feito na Segunda feira (07/11) pelo Embaixador Itinerante e Coordenador de Contraterrorismo dos EUA, Nathan Sales, em conferência de imprensa em formato virtual sobre o balanço da sua visita à Moçambique e África do Sul.

O diplomata disse que o seu país pretende ser o parceiro preferencial das autoridades moçambicanas no combate ao terrorismo, sem necessariamente ter que enviar forças militares ou mercenários.

“Os EUA têm um histórico de combate ao terrorismo como mais nenhum país, mas assume que o que resulta é o reforço das capacidades de instituições que aplicam e executam a lei para que possam ter melhores ferramentas para proteger a população e retirar ameaças do campo de batalha”, disse o diplomata.

Nathan Sales, que em Maputo reuniu-se com o Presidente da República, Filipe Nyusi, especificou que geralmente o apoio norte-americano, para essa questão, consiste no treino para forças de investigação, procuradores e juízes, por exemplo.

Afirmou que as capacidades que os EUA querem reforçar em Moçambique são do foro civil e poderão dar “resultados a longo prazo”, como a execução e reforço da lei, a agregação de informações, o uso de provas em tribunal para responsabilizar os autores de ataques e ações para impedir o acesso dos rebeldes às áreas afetadas.

Para tal, sugeriu, será importante implementar sistemas de segurança fronteiriça, controlo e segurança de portos, aeroportos e as entradas terrestres.

“Os insurgentes estão a alinhar-se com o Estado Islâmico (EI), independentemente da origem ou dos indivíduos que participam nos ataques, o que vemos hoje é uma ligação à sua ideologia, táticas e procedimentos de controlo territorial”, acrescentou.

Na sua perceção, Moçambique precisa que os EUA disponibilizem a capacidade de derrotar a ameaça terrorista, daí que as conversações vão prosseguir até que haja um consenso sobre as modalidades da parceria a estabelecer nesse sentido.

Entretanto, o diplomata não especificou os prazos para estes entendimentos, reiterando que tudo vai depender daquilo que for delineado com o Governo.

A violência armada em Cabo Delgado, norte de Moçambique, está a provocar uma crise humanitária com cerca de duas mil mortes e 500 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

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