EUA: Primeira negra indicada para o Supremo.

A juíza Ketanji Brown Jackson, primeira mulher negra nomeada para o Supremo Tribunal de Justiça dos Estados Unidos, ao defender-se e ao aguentar os ataques dos republicanos durante uma das audiências, prometeu nesta segunda-feira, 21 de Março de 2022, defender a Democracia e Constituição Norte-Americana.

“Se eu for confirmada, comprometo que trabalharei produtivamente para apoiar e defender a Constituição e o grande experimento que é a democracia americana que perdurou nos últimos 246 anos”.

Disse a magistrada perante o comité da Justiça do Senado dos Estados Unidos da América (EUA).

A magistrada fez este pronunciamento no final de uma audiência que durou quase cinco horas, e na qual ouviu 22 membros do comité da Justiça do Senado: 11 democratas e 11 republicanos.

Jackson foi nomeada pelo Presidente dos EUA, Joe Biden, que prometeu durante a campanha eleitoral de 2020 que se ganhasse nomearia uma mulher afro-americana para o Supremo, que nunca teve nenhuma nos seus 232 anos de história.

Excelente estratega evitou referir-se ao significado histórico de uma mulher negra ser pela primeira vez em quase dois séculos e meio de Independência do EUA indicada para o Supremo Tribunal.

A juíza de 51 anos insistiu sobretudo na sua “independência” e “neutralidade”, tendo ainda prestado homenagem a todos aqueles que a ajudaram a chegar a este patamar, como os seus pais e sublinhou o chamado ideal americano ao dizer:

“Depois de terem vivido pessoalmente a segregação racial, (…) os meus pais ensinaram-me que, ao contrário das muitas barreiras que eles tiveram que enfrentar enquanto cresciam, o meu caminho era mais claro”.

“de modo que se eu trabalhasse duro e acreditasse em mim mesmo, na América eu poderia fazer qualquer coisa ou ser qualquer coisa que eu quisesse ser”, contou.

“Sou juíza há quase uma década e levo muito a sério essa responsabilidade e o meu dever de ser independente”.

“Decido casos a partir de uma postura neutra. Avalio os factos, interpreto e aplico a lei aos factos do caso diante de mim, sem medo ou favor, de acordo com o meu juramento judicial”, frisou Ketanji Brown Jackson

Os democratas frisaram e celebraram a natureza histórica da indicação de Ketanji Brown Jackson e elogiaram o seu histórico e experiência única.

“Não é fácil ser o primeiro. Muitas vezes é preciso ser o melhor e, de alguma forma, o mais corajoso”.

Reconheceu o senador democrata Dick Durbin no início da audiência, que elogiou a carreira da magistrada e referiu-se ao facto de poder vir a ser a primeira mulher negra no cargo.

A experiência de defensora pública de Ketanji também foi sublinhada pelo senador Richard Blumenthal, frisando que isso a ajudou a “entender o sistema de justiça norte-americano de forma única, através dos olhos de pessoas que não podiam pagar um advogado”.

Os ataques dos senadores republicanos foram e continuam a ser liderados curiosamente pelo senador latino, Ted Cruz, que tenta demonstrar que Jackson não tem posições firmes ou duras contra os criminosos, chegando a insinuar que a juíza indicada para o Supremo Tribunal faz parte:

“Do esforço democrata para abolir a polícia e nomear juízes que consistentemente ficam do lado dos criminosos violentos, libertando esses criminosos e recusam-se a fazer cumprir a lei e o resultado é colocar civis inocentes em risco”.

O que achas desta nomeação para o Supremo Tribunal de Justiça dos EUA? Vai mudar alguma coisa no sistema judicial americano? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

Imagem: © 2022 Whitehouse.gov (CC BY 3.0 US)
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