Faraós Superstars o início das celebridades.

Alguns Faraós tornaram-se ícones internacionais, outros desapareceram no esquecimento, agora, a exposição Faraós Superstars, propõe uma reflexão sobre a figura do faraó e sobre o papel que desempenha como símbolo do Antigo Egito e ícone de celebridade.

Em 3.000 anos, o Egito conheceu mais de 340 faraós, mas apenas um punhado deles, carregados por façanhas militares ou arquitetónicas – templos, pirâmides ou estátuas monumentais – ou pelo acaso da história, chegaram ao imaginário dos nossos dias. Estes Faraós, tornaram-se nas primeiras celebridades da história da humanidade.

Faraós Superstars é uma exposição concebida em torno da figura do faraó e do lugar que o Antigo Egito ocupa no nosso imaginário, em 5000 anos de História, da Antiguidade aos dias de hoje e pretende refletir sobre a popularidade destas personagens históricas e por vezes míticas que são os faraós.

 

A exposição

Intitulada ” Faraós Superstars” a exposição abrange 5.000 anos de história do antigo Egito, da antiguidade aos dias de hoje e examina as origens da fama.

A exposição oferece um percurso de 1.000 m2 dividida em três partes:

  • A memória dos faraós na civilização faraónica.
  • A sua representação até o século XVIII, muitas vezes baseada em textos gregos e romanos ou textos religiosos.
  • A revolução de Champollion que mudou radicalmente a nossa visão do antigo Egito.

Estarão patentes cerca de 250 peças provenientes de importantes coleções europeias, entre as quais do Museu Britânico, Museu do Louvre, do Museo Egizio (Turim), do Ashmolean Museum (Oxford), do Musée d’Orsay (Paris), do MuCEM – Musée des Civilisations de l’Europe et de la Méditerranée (Marselha), do Museu Calouste Gulbenkian (Lisboa) ou da Biblioteca Nacional de Portugal (Lisboa).

A exposição constitui ainda uma oportunidade para refletir sobre o núcleo de arte egípcia do Museu Calouste Gulbenkian e sobre a relação que o colecionador estabeleceu com o egiptólogo Howard Carter, conselheiro para a maioria das suas aquisições.

Depois de ter sido adiada, devido à pandemia do Covid-19, a exposição será finalmente inaugurada em 2022, no contexto das comemorações do centenário da descoberta do túmulo de Tutankhamon por Howard Carter e do bicentenário da decifração dos hieróglifos pelo egiptólogo Jean-François Champollion.

Para já, estará patente de 22 Junho a 17 de Outubro de 2022, no MuCEM (Musée des Civilisations de l’Europe et de la Méditerranée), em Marselha, e posteriormente de 25 de Novembro de 2022 a 06 de Março de 2023, no Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Os organizadores estão a procurar levar a exposição a outros museus, mas de momento não existe confirmação.

Do anonimato ao estrelato

Quem se lembra de Amásis, Teti, Senuseret ou mesmo, Nectanebo, que na Idade Média era considerado o pai de Alexandre, o Grande? Psamético e Sesostris, foram celebrados na Europa no século XVIII, sem esquecer Sesostris III ou Amenemhat III, venerado pelos egípcios do 1º milênio. Mas hoje em dia, quem se lembra deles?

Isto para não contar com os Faraós amaldiçoados que os egípcios quiseram apagar das suas tábuas e monumentos, mas cuja existência sobreviveu ao longo dos séculos

Estes “esquecidos” servem igualmente de parábola para ilustrar a natureza e as vias da “celebridade”, fazendo notar o seu lado efémero, mutável, nem sempre associado ao reconhecimento histórico.

Khufu (Quéops), Nefertiti, Tutankhamon, Ramsés e Cleópatra continuam a ser nomes familiares, milhares de anos após a morte destes faraós.

Alguns destes Faraós, foram “apagados” da história ou mesmo vilipendiados, tais como a rainha Hatshepsut, que estabeleceu um precedente arriscado para a transmissão de poder entre os homens, ou Akhenaton e sua esposa Nefertiti, que ousaram reformar radicalmente a religião e o poder.

Mesmo a rainha Cleópatra, foi muitas vezes retratada seminua pelos historiadores romanos foram-lhe atribuídos epítedos, como sedutora e libidinosa, no entanto, era vista pelo mundo árabe clássico como uma grande construtora e estudiosa.

“Enquanto trabalhávamos nesta exposição, percebemos que Cleópatra representava também uma parábola, uma metáfora da fama e da memória. As celebridades de ontem não são as de hoje e talvez nem as de amanhã”.

Sublinhou Frédéric Mougenot, destacando “a ironia da história” ou mesmo a “sorte” que colocou certos faraós em plena luz, sem necessariamente estarem vinculados aos seus méritos.

São estas curiosidades e muitos outros factores patentes nesta exposição que nos mostram o percurso da celebridade que começou com as antiguidades egípcias passando pela música e chegou aos nossos dias com as vedetas da Internet.

 

Quando os faraós reinaram… na publicidade

Na década de 1960, os Faraós entraram no Hall da Fama do cinema de Hollywood e na sociedade de consumo emergente, tornaram-se ícones da publicidade.

Desde sabonetes, roupas íntimas femininas e até mesmo tetos falsos! A imagem de Nefertiti ou a de Cleópatra, foi amplamente utilizada dos anos 20 aos 90, tendo-se tornado ícones de beleza, usadas e abusadas ​​para se dirigirem a um público feminino recetivo.

“É preciso não esquecer que estes produtos, são uma beleza que dura… como a civilização egípcia”. Frase de um publicitário nos anos 50. 

 

Conclusão

Os faraós da Antiguidade, tinham um objetivo após a sua morte, era o de unir as estrelas que nunca se apagam no céu, ligando-se a elas, tornando-se dessa forma, eles próprios, em estrelas imperecíveis.

Em suma, o objectivo era o de que os seus nomes fossem sempre pronunciados, além das suas civilizações e assim alcançassem a imortalidade. É este sucesso do passado que liga o presente a estes Faraós Superstars.

Esta exposição, é um momento único da história de África e do Mundo, infelizmente, de momento limitada a apenas 2 Museus na Europa. É um momento imperdível, por isso, quem poder, deve ir vê-la pois ficará na memória do nosso colectivo.

 

O que achas desta exposição dos Faraós Superstars? Gostarias que ela desse a volta ao mundo? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

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Imagem: © 2022 Mélanie Frey

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Autor

  • Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos. neste momento exerce as funções de Chefe de Redação da Mercados Africanos.

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