Fim da 1ª Guerra Mundial: A coragem e heroísmo dos soldados africanos.

Às 11 horas do dia 11 de novembro de 1918, terminava um dos conflitos mais sangrentos que a humanidade assistiu: a Primeira Guerra Mundial, durante a qual, dois milhões de africanos foram mortos quando o continente foi arrastado para a primeira guerra verdadeiramente global.

Entre tantos outros, soldados da Nigéria, do Gana, da Costa do Marfim, do Senegal, do Quénia, do Marrocos, da Argélia, de África do Sul, dos Camarões e de todas as outras colónias – e não só africanas, como a Índia – dos Impérios Britânico e Francês morreram pelas bandeiras, que não lhes davam dignidade, nem reconhecimento, antes pelo contrário, discriminação racial, desprezo e as piores condições de combate de “carne para canhão”.

Mesmo assim, os soldados das colónias africanas lutaram com bravura e heroísmo, e muitos foram condecorados com as mais altas distinções da época, numa guerra cujas consequências provocaram mudanças profundas em África, raiz dos conflitos em muitos países.

A coragem e bravura em combate, embora mal equipados e em condições de frio intenso, demoliu os conceitos que existiam em geral e em particular nos EUA – em plena segregação racial – de que os soldados negros não aguentavam a pressão do combate.

Aliás, vários batalhões de afro-americanos também foram distinguidos com as mais altas condecorações durante o confronto. Entre eles, o lendário 369º Regimento de Infantaria, conhecido como os Harlem Hellfighters, (os guerreiros infernais de Harlem) cujos vários soldados receberam a “Croix de Guerre” (Cruz de Guerra) a mais alta condecoração do Exército Francês.

A França recrutou mais africanos do que qualquer outra potência colonial, enviando quase meio milhão de soldados do Oeste e do Norte de África – chamados os “Tirailleurs Sénégalais, assim era conhecido o corpo de infantaria colonial” – para lutar contra os alemães nas linhas de frente.

Durante a guerra, tropas africanas também foram enviadas para a própria África. A infantaria senegalesa ajudou a França a tomar a colónia alemã do Togo, e os britânicos também lutaram ao lado de tropas africanas contra os alemães até 1918. Para além de combaterem, os africanos serviram como batedores, carregadores e cozinheiros.

A Alemanha também forçou milhares de africanos ao serviço militar na Tanzânia – a antiga África Oriental Alemã e como resultado cerca 1 milhão de pessoas morreram quando a economia finalmente entrou em colapso.

A Primeira Guerra Mundial acabaria por redesenhar as fronteiras de África. A derrota da Alemanha significou a perda de suas colónias, com a África Oriental Alemã, a República Alemã dos Camarões, o Togo e a África do Sudoeste Alemã assumidas pelos vencedores.

Os Camarões, a ex-colónia alemã foi dividida entre a Grã-Bretanha e a França, com esta última ficando com quase todo o território, o que daria origem a um conflito que ainda existe hoje, já que a minoria de língua inglesa do país, sentiu-se abandonada pelo governo central francófono que se instalou após a Independência.

O monumento original ao “Exército Negro”, erguido em Reims, na França, na década de 1920, foi removido pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial e nunca mais voltou a ser recuperado.

A Namíbia, que já foi o Sudoeste Africano alemão, não foi dividida entre os vencedores, mas colocada sob o controle da Liga das Nações, a precursora das Nações Unidas.

Mas o governo sul-africano tinha outras ideias e assumiu o controle apenas dois anos após o fim da primeira guerra e impôs o regime de “apartheid” e oprimiu a população negra até a independência da Namíbia em 1990.

A Primeira Guerra Mundial que resultou em mudanças profundas que estiveram na raiz dos conflitos em muitos países africanos de hoje não trouxe esperança imediata de libertação.

No entanto gerou o desenvolvimento dos primeiros movimentos internacionais nacionalistas africanos que na altura começaram a pugnar pela autodeterminação das colónias e que deram na realidade início ao processo que culminou com a autodeterminação dos povos africanos pós a segunda guerra Mundial. Não foi por acaso que o Primeiro Congresso Pan-Africano, em 1919, tenha ocorrido em Paris.

Passaram-se décadas e outra guerra mundial, a segunda, para que quinze anos depois do calar das armas, no final dos anos 1950, princípio dos anos 1960, a descolonização de África pudesse finalmente ser celebrada nas colónias francesas e britânicas.

Com o Império colonial Português, a história foi outra e foram necessárias novas guerras, chamadas de colonial para uns e de libertação para outros.

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