Fitch Ratings: economia angolana muito dependente do petróleo

A agência de classificação financeira Fitch Ratings antevê um crescimento económico de 0,1% este ano (2021) mas que se vai acelerar até 2,9% em 2023.

Apesar desta previsão de crescimento económico, a Fitch Ratings, decidiu nesta quinta-feira, 2 de setembro 2021, manter a classificação de Angola em “CCC”, o terceiro nível mais baixo a seguir a um incumprimento financeiro, o chamado “default”, na linguagem financeira internacional.

Segundo o comunicado da Fitch, a partir de Hong Kong, lido por Mercados Africanos, a nota “CCC” de Angola reflete o risco para o Governo relativo à sustentabilidade da dívida a médio prazo e à incerteza sobre as fontes de financiamento externo disponíveis em 2022 e 2023, já depois de o programa do Fundo Monetário Internacional terminar e o serviço da dívida externa aumentar significativamente em 2023″.

No entanto, na explicação da manutenção da classificação sobre a qualidade do crédito soberano de Angola, os analistas da Fitch, deixam uma nota relativamente positiva e escrevem, ainda assim, que “a recente recuperação no preço global do petróleo vai sustentar uma melhoria na posição orçamental, o que, juntamente com as perspetivas de um aumento no crescimento do PIB e uma depreciação menor da taxa de câmbio, vai contribuir para colocar a dívida pública numa trajetória descendente”.

A grande preocupação no comunicado da Fitch refere-se ao montante da dívida pública face ao PIB, o qual já chegou ao máximo previsto, atingindo um rácio de 124% no final de 2020, embora deva descer para menos de 100% no final deste ano, “parcialmente devido ao aumento do denominador, motivado pela subida dos preços do petróleo, mas ainda assim bem acima da média de 68% dos países classificados no nível B”, segundo a Fitch Ratings.

O mesmo comunicado reconhece, no entanto, que Governo conseguiu fazer um “esforço significativo de consolidação orçamental nos últimos anos num contexto de redução da produção e dos preços petrolíferos”, embora salientem a dependência de Angola face ao petróleo e sobre isso escreveram “a economia continua altamente dependente da receita petrolífera, cujos preços vão reverter os ganhos de 2021, e num contexto de manutenção da produção de petróleo”.

“Prevemos que a produção suba para 1,2 milhões de barris por dia em 2022, mantendo-se nesse nível em 2023, mas isto depende do início da nova produção; se isto não acontecer a produção pode cair 10 a 15% ao ano”, alertaram os analistas da Fitch.

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