FMI assusta países africanos com “colapso económico”.

Segundo a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva e Ceyla Pazarbasioglu, diretora do Departamento de finanças, estratégia, políticas e avaliação de fundos, cerca de 60% dos países mais pobres do mundo “estão em alto risco ou já sofrem de dívidas incobráveis”, o dobro do que em 2015, escreveram nesta quinta-feira 2 de Dezembro 2021.

Ambas assinaram uma postagem num Blog do FMI, lido por Mercados Africanos, a qual alertava para um eventual colapso económico dos países mais pobres que não venham a renegociar as suas dívidas.

Considerando que a maioria das economias mais pobres se encontram na África subsaariana, este aviso de catástrofe iminente era essencialmente dirigido aos países africanos.

O tema do Blog baseia-se no facto de que a Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida do Grupo dos 20 (DSSI) termine no final do ano (2021) e que consequentemente as taxas de juros subirão o que fará, segundo elas, que “os países de baixa renda terão cada vez mais dificuldades para pagar as suas dívidas”.

Uma vez mais o FMI, só vê a solução dessa situação se os credores, que como sempre são os das nações mais ricas do mundo, suspenderem as obrigações de pagamento da dívida e ajudarem os mais pobres a renegociar novos termos.

No entanto é do conhecimento dos que acompanham a situação que é claro a falta de interesse dos países devedores.

Desde há um ano (novembro 2020) quando a iniciativa começou, apenas três dos 73 países elegíveis (Chade, Etiópia e Zâmbia) se candidataram ao programa.

Recorde-se que a África embora seja a região menos endividada em relação ao PIB ou per capita, é a mais afetada pela pressão da dívida soberana.

A pandemia veio acentuar as limitações do continente na capacidade de diminuir o impacto social e económico dos sucessivos confinamentos africanos e globais.

Ainda segundo a postagem nesse Blog do FMI, lia-se “sem dúvida, 2022 será muito mais desafiador com condições financeiras internacionais muito mais constrangedoras, já no horizonte”

Há já quase dois anos, desde o início da pandemia que pedidos insistentes têm sido feitos em quase todos os fóruns internacionais para o alívio da dívida africana.

O tema da dívida tem sido também, a tónica dominante do impacto da pandemia nas economias africanas e na sua respetiva recuperação.

Do que pouco se fala, quando se refere à dívida africana, é que com a pandemia os países e blocos regionais mais ricos “esqueceram” a dívida publica (deles) e criaram as chamadas” bazucas” de apoio financeiro.

Enquanto isso, diz-se aos países africanos para terem muito cuidado com a divida.

Agora e com as incertezas adicionais causadas pela nova estirpe Ómicron é necessário mais do que nunca uma nova abordagem à reestruturação da dívida, uma nova leitura, interpretação e notação do risco soberano dos países africanos.

Esta nova leitura e abordagem dos que decidem a nível global do que é positivo ou negativo nas economias e finanças africanas devem, primeiro que tudo, dar aos decisores do continente a amplitude para “respirar” ou seja, ter espaço para encontrar as suas próprias soluções económicas e financeiras, incluindo a de dar uma narrativa africana à questão do tratamento da dívida.

O que pensas sobre isto? Será justo para África? Dá-nos a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo dá um “like (gosto)”.

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