FMI: PALOP receberam 1,3 mil milhões de euros

Ontem, segunda-feira, 23 de agosto 2021, tal como Mercados Africanos noticiou e analisou, os países africanos receberam 27,7 mil milhões de euros, mas embora histórico, todos estes milhões são insuficientes para garantir que o continente recupere da crise e saia mais forte da provação.

Tínhamos recordado que a alocação de Direitos Especiais de Saque (DES), uma espécie de ‘aumento de capital’ do FMI, é distribuído por todos os estados-membros em função da sua quota, o que faz com que mais de metade do valor de 550 mil milhões de euros seja reservado aos países mais ricos, precisamente porque têm uma quota maior no Fundo.

Apresentámos igualmente a distribuição por cada um dos países africanos e fizemos o top10.

Considerando este marco importante na história do FMI relembramos os montantes dos PALOP.

Entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), Angola é, claro, quem recebe mais. A seguir na lista aparece Moçambique, com 261 milhões de euros, a Guiné Equatorial (181,6 milhões de euros), a Guiné-Bissau, com 32,6 milhões, Cabo Verde, com 27,8 milhões, e São Tomé e Príncipe, que receberá quase 17 milhões de euros em reservas cambiais.

No total, os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) receberão um reforço de 1.372,2 milhões de euros, correspondentes a 1134 milhões de unidades de DES.

Já agora, refira-se que o Brasil, o gigante económico da lusofonia, vai receber 12,7 mil milhões de euros, Portugal que verá as suas reservas externas aumentar em 2.373 milhões de euros, e Timor-Leste receberá 29 milhões de euros.

Contas feitas, a lusofonia vai receber quase 16,5 mil milhões de euros decorrentes desta nova alocação de capital, a maior de sempre e a primeira desde 2009, quando foi preciso recapitalizar os países no seguimento da crise financeira bancária norte-americana que desaguou numa crise económica mundial.

No entanto de acordo com os cálculos do próprio FMI, as necessidades de financiamento dos países africanos para garantir a recuperação económica nos próximos quatro anos são quase equivalentes à totalidade da nova emissão de capital, já que as contas do FMI mostram uma necessidade de 450 mil milhões de dólares até 2025.

A solução? Convencer os países mais ricos a abdicarem do aumento das reservas em moeda externa, ou melhor, a transferirem para os países com mais dificuldades.

Certo é que até agora há apenas o compromisso do G7 de canalizar 100 mil milhões de dólares para os países africanos, mas ainda não está definido nem a distribuição pelos países nem o mecanismo concreto de transmissão das verbas.

Até lá, teremos de aguardar que os líderes políticos mundiais finalmente percebam que enquanto todos não estivermos a salvo, ninguém estará a salvo da pandemia.

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