Com alguns dias de intervalo, dois casos apontam para a perda de influência da França em África, e para ser mais preciso na “sua zona”.

Na República Centro-Africana, a ascensão da Rússia, notável desde 2016, acaba de forçar Paris a congelar a sua cooperação militar.

Uma decisão rara geralmente tomada como consequência de contextos altamente antidemocráticos.

Este anúncio foi feito depois que Emmanuel Macron ter dito numa entrevista ao Journal du Dimanche (Jornal do Domingo) que a questão da retirada do exército francês de Mali surgiu após o novo golpe militar em Bamako em maio.

“Enquanto se aguarda essas garantias, a França decidiu suspender, por precaução e temporariamente, as operações militares conjuntas com as forças do Mali, bem como as missões de assessoria”, acrescentou.

Portanto, até novo aviso, não veremos mais os dois exércitos  ̶  Maliano e Francês  ̶  operarem juntos no Sahel.

Outra decisão da França: os cooperantes franceses vinculados ao Ministério da Defesa do Mali estão de saída, por enquanto.

Mas voltemos à República Centro Africana (RCA).

O primeiro-ministro centro-africano, Firmin Ngrebada, anunciou, nesta quinta-feira, 10 de junho 2021, a renúncia do seu governo, a qual ocorre num momento em que a RCA enfrenta um ciclo de violência, seis meses após a reeleição do presidente Faustin Archange Touadéra.

“Acabo de entregar a Sua Excelência o Senhor Presidente da República, Chefe do Estado, a minha renúncia às funções de Primeiro-Ministro”, escreveu o ex-primeiro-ministro.

Uma renúncia num cenário de rivalidade entre a França e a Rússia?

Antes da entrega da sua demissão, o ex-chefe do governo tinha visitado a Rússia para atrair mais investidores, enquanto a França havia suspendido a cooperação militar com a República Centro-Africana e a sua ajuda, sob o pretexto de que este Estado é cúmplice de uma “campanha antifrancesa” com o apoio da Rússia.

Força é de constatar que o exército regular da RCA tem vencido várias batalhas graças ao reforço do exército russo presente neste país desde 2018 e economicamente, a Rússia destaca-se pelos seus investimentos no setor de mineração desta ex-colônia da França.

Note-se que no início de junho 2021, o presidente francês Emmanuel Macron declarou que Faustin Archange Touadéra era um “refém” de Wagner, um empreiteiro militar russo que trabalha com o governo centro-africano no combate aos “rebeldes” que ameaçam invadir a capital Bangui.

De acordo com vários observadores, a renúncia de Ngrebada acontece no seguimento, entre outras coisas, da rivalidade entre a França e a Rússia na República Centro-Africana e enquadra-se na sucessão de eventos diplomáticos mencionados acima.

Tomás Paquete

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